top of page

Neurociência Cognitiva

Nos últimos anos, inúmeros estudos foram realizados no intuito de se entender de forma mais assertiva as atividades cerebrais e como as mesmas influenciam no comportamento humano. E é justamente nesse contexto que se encaixa a Neurociência.

Ela corresponde a área em que estuda o sistema nervoso central, bem como suas funcionalidades, estrutura, fisiologia e patologias. Esse sistema é responsável por estruturar as atividades do corpo humano, sejam elas voluntárias ou não.

De forma resumida, as experiências e a maneira como o ser humano lida com as mesmas, afetam seu cérebro e seu desenvolvimento. Nesse sentido, a neurociência diz respeito a inteligência, aos sentimentos, a capacidade de tomar decisões, além de gerar entendimento sobre o funcionamento do sistema nervoso e como agir sobre ele.

Para que todo este estudo seja realizado, os cientistas levam em consideração os processos a nível cognitivo, ou seja, como o ser humano adquiri conhecimento (seja por meio da atenção, da associação, da memória, da imaginação, do pensamento, da linguagem, entre outros), através dos cinco sentidos, resultando assim, em seu desenvolvimento intelectual, comportamentos, interações e adaptação ao meio.

Neurociência Cognitiva

Dentre as subdivisões da Neurociência, uma delas é a Neurociência Cognitiva, ela tem como foco, o estudo a respeito das capacidades mentais do ser humano, como por exemplo, seu pensamento, aprendizado, inteligência, memória, linguagem e percepção.

Com base nisso, as sensações e a percepção do indivíduo são o que norteiam os estudos da Neurociência Cognitiva, ou seja, como uma pessoa adquiri conhecimento a partir das experiências sensoriais a que é submetida; uma música, um aroma, o gosto de uma comida, uma imagem ou uma sensação corporal, tudo isso engloba as experiências sensoriais e são elas as responsáveis por captar os dados do ambiente e leva-las ao cérebro.

Verifica-se então, que a Neurociência Cognitiva não diz respeito apenas ao sistema nervoso, como também, como as experiências sensoriais adquiridas ao longo da vida são processadas pelo no cérebro e são transformadas em conhecimento.

NEUROCIÊNCIA COGNITIVA E A NOSSA REALIDADE

 

Uma das subdivisões do estudo da neurociência é a neurociência cognitiva que aborda os campos de pensamento, aprendizado e memória. O estudo do planejamento, do uso da linguagem e das diferenças entre a memória para eventos específicos, e a memória para a execução de habilidades motoras, são exemplos da análise ao nível cognitivo.

Para Kandel, ganhador do Prêmio Nobel em Fisiologia e Medicina em 2000, a neurociência atual é a neurociência cognitiva, um misto de neurofisiologia, anatomia, biologia desenvolvimentalista, biologia celular e molecular e psicologia cognitiva.

 

A sensação e a percepção são o ponto de partida para a pesquisa moderna dos processos mentais. John Locke e cols. sustentaram que todo conhecimento é obtido por meio da experiência sensória – daquilo que nós vemos, ouvimos, sentimos, degustamos e cheiramos. Ele propôs que, ao nascimento, a mente humana seria como uma tabula rasa, uma folha vazia onde a experiência deixaria suas marcas.

 

 

Vamos então supor que a Mente pudesse ser, como se diz, um papel em branco sem quaisquer letras, sem quaisquer idéias; Como então ela poderia ser mobiliada? De onde vêm todos os materiais da razão e do pensamento? Para isso eu respondo, em uma palavra, da Experiência. Experiência que se fundamenta todo nosso conhecimento e, a partir dela, em última análise, ele se origina.

 

 

As experiências que passamos em nossas vidas são informações que chegam ao sistema nervoso central na forma de estímulos sensoriais. O encéfalo processa essas informações procurando compará-las com outras que já estejam previamente guardadas, reconhecendo-as ou não. Esse mecanismo não envolve apenas os aspectos físicos dessa informação (cor, forma, tamanho), mas também as relacionando com os aspectos diretamente ligados aos sentimentos e emoções. Após seu processamento, um conjunto de sensações é memorizado com a informação recebida que pode ser agradável ou não.

 

Os cinco órgãos dos sentidos são canais de captação dessas novas informações, mas eles apresentam algumas limitações. Por exemplo, nem todas as freqüências sonoras são percebidas pelo nosso sistema auditivo, isto é, nem todos os sons que percebemos, são interpretados pelo nosso encéfalo.

 

Além disso, nossas percepções diferem qualitativamente das propriedades físicas dos estímulos, visto que o sistema nervoso extrai somente determinadas partes da informação de cada estímulo, enquanto ignora outras, e assim interpreta esta informação no contexto das estruturas encefálicas e das experiências prévias. Assim, nós recebemos ondas eletromagnéticas de diferentes freqüências , mas as percebemos como as cores vermelho, azul e verde. Recebemos ondas de pressão dos objetos vibrando em diferentes freqüências, mas ouvimos sons, palavras e música.

 

Cores, sons, sabores e odores são criações mentais construídas pelo encéfalo a partir da experiência sensória. Elas não existem, como tal, fora do encéfalo.

 

Mesmo que nossas percepções quanto ao tamanho, forma e cor dos objetos sejam derivadas de padrões de luz que chegam às nossas retinas, nossas percepções, ainda assim, parecem corresponder às propriedades físicas dos objetos. Na maioria das vezes podemos usar nossas percepções para manipular um objeto e predizer aspectos do seu comportamento. A percepção permite que organizemos características essenciais de um objeto o suficiente para podermos manipulá-lo apropriadamente. Assim, nossas percepções não são registros diretos do mundo ao nosso redor. Ao contrário, elas são formadas internamente, de acordo com as limitações impostas pela arquitetura do sistema nervoso e por suas habilidades funcionais.

 

A realidade existente ao nosso redor, no mundo exterior, é filtrada por diversos mecanismos, muitas vezes, distorcendo-os. Somente as informações que chegam a ser processadas pelo nosso encéfalo é que constroem uma realidade própria, dentro da interpretação de nosso próprio sistema nervoso, sempre baseado em nossas capacidades cognitivas.

 

Tem sido dito que a beleza está nos olhos de quem a vê. Como hipótese... essa idéia indica claramente o problema central da cognição... o mundo da experiência é produzido pelo homem que a vivencia... Com certeza existe um mundo real de árvores, pessoas carros e mesmo livros, que tem uma grande relação com a nossa experiência desses objetos. Nós, no entanto, não temos acesso direto ao mundo real, nem a qualquer de suas propriedades.

 

 

Tudo o que sabemos sobre a realidade é mediada não somente pelos órgãos do sentido, mas também por complexos sistemas que interpretam e reinterpretam a informação sensória... O termo “cognição” se refere a todos os processos pelos quais uma aferência sensória é transformada, reduzida, elaborada, armazenada, recuperada e utilizada  -  (ULRIC NEISSER, 1967)

 

 

A percepção da realidade criada pelo seu cérebro (realidade subjetiva) corresponde totalmente à realidade existente ao seu redor (realidade objetiva) ou é apenas parcial?

 

E se essa realidade (subjetiva) pudesse ser influenciada ou alterada se tivéssemos um controle maior dos padrões de pensamentos utilizados por nossa memória para comparar informações pré-concebidas com as novas? Não teríamos outra conscientização de uma mesma realidade (objetiva)?

 

A Realidade Objetiva é aquela  intangível pela restrição perceptiva de nossos cinco sentidos. A Realidade Subjetiva é aquela resultante da assimilação dos estímulos externos filtrados pela nossa capacidade cognitiva que nem sempre corresponde à realidade objetiva e na qual orientamos nossa vida em função da mesma, tornando-se assim, plenamente mutável.

 

A ciência já conhece a capacidade de reorganização e reestruturação de nossas conexões neurais (neuroplasticidade). Técnicas de reprogramação mental surgem a cada dia. Até quando continuaremos a vivenciar experiências que culminem na obrigação de vivermos dentro de uma realidade insatisfatória e desagradável, se dentro de nós mesmos existe a possibilidade de fazer mudanças e transformar nossas realidades? Tudo depende da conscientização e da vontade de cada um.

 KANDEL, E.R. et al.- Principles of Neural Science. 4ª ed.

Como a Neurociência pode ajudar no aprendizado

Você já parou para pensar em como o cérebro processa as informações que recebe? Em como tal ação reflete no aprendizado e na vida como um todo? É justamente através da Neurociência que tais perguntas podem ser respondidas, pois seus estudos compreendem como uma pessoa processa as informações adquiridas pelo ambiente e as transforma em aprendizado. A partir daí, é possível definir estratégias assertivas de ensino, o que garante a pessoa, uma melhor absorção do conteúdo.

Confira algumas áreas em que a Neurociência pode auxiliar no aprendizado:

Emoção

A inteligência humana está intimamente ligada a emoção, ou seja, o aspecto emocional interfere na nossa cognição: quanto mais um evento contenha emoção, mais a pessoa se lembrará dele e isso afeta na obtenção de conhecimento (de forma positiva ou negativa).

 

O conhecimento é o conjunto de informações que o indivíduo adquire por meio da sua experiência, aprendizagem, crenças, valores e insights sobre algo no decorrer da sua trajetória. A pessoa que detêm o conhecimento é capaz de saber alguma informação ou instrução e a mesma pode mudar comportamentos e auxiliar na tomada de decisão.

Nesse sentido, a emoção da pessoa precisa ser instigada (quando ela for positiva) ou desestimulada (quando ela for negativa), para que o desenvolvimento intelectual não seja prejudicado.

Motivação

A motivação é o que fomenta o aprendizado, quando a pessoa se depara com uma interferência positiva, isso mobiliza a atenção da mesma, o que gera a motivação. Da mesma forma, se o indivíduo encontra uma tarefa muito difícil, sua mente se frustra e ele acaba desmotivado, e isso interfere na sua aprendizagem.

A pessoa deve então, no decorrer do desenvolvimento intelectual, não apenas entrar em contato com inúmeros conteúdos, como também, realizar atividades que despertem a sua curiosidade, proponham desafios e a motivem.

Atenção

A atenção é fundamental para que o conhecimento seja adquirido, pois o sistema nervoso só absorve a informação quando a pessoa está atenta a mesma. O indivíduo presta atenção em alguma coisa, quando aquilo é entendido, ou seja, tem significado.

Nesse sentido, a falta de atenção muitas vezes não ocorre por indisciplina, mas sim, por falta de estímulo. Por conta disso, para que a pessoa dê atenção a uma informação, a interação entre a mesma e o indivíduo precisa ocorrer.

Socialização

As experiências sociais do ser humano e o ambiente ao qual ele está inserido, formam a sua cognição, ou seja, o cérebro se modifica e se desenvolve durante a vida. Através da socialização, é possível que a pessoa consiga aprimorar a sua linguagem verbal e não verbal, interagir com outras pessoas, reconhecer e expressar emoções, exercer suas potencialidades e ter empatia.

Memória

A memória se dá através de repetições, quando a pessoa decora uma informação e através de associações, quando existem vínculos e relações com o conteúdo. Nesse sentido, o ato de aprender não ocorre apenas quando se grava informações, mas também, quando o conteúdo afeta a pessoa. Com isso, o indivíduo deve identificar pontos de ancoragem para que o conteúdo aprendido tenha sentido e fique na sua memória.

A Neurociência Cognitiva tem como objeto de estudo, a compreensão, na prática, sobre como a nossa mente processa as informações, como isso possibilita aprender, desenvolver e acumular conhecimentos e aperfeiçoar as múltiplas inteligências. Essa consciência dos pontos fortes e de limitação é fundamental no processo de ensino, uma vez que possibilita desenvolver modelos de aprendizado que levem em conta o processo cognitivo de cada um e com soluções adequadas a cada pessoa.

neurociencia cognitiva
conhecimento

CONHECIMENTO

O conhecimento é o principal fator de influência nas decisões, atitudes, comportamentos e perspectiva. Ele expande o potencial infinito do ser humano. Conheça algumas definições de conhecimento:

Conhecimento no dicionário

“1. Ato ou efeito de conhecer. 2. Ideia, noção. 3. Informação, notícia, ciência. 4. Prática da vida, experiência. 5. Discernimento, critério, apreciação. 6. Consciência de si mesmo, acordo”.

Conhecimento é a opinião justificada pela verdade

Até os dias de hoje, a definição de conhecimento desenvolvida por Sócrates ainda é uma das mais aceitas pelos acadêmicos. Como o filósofo grego não deixou qualquer tipo de material escrito com seus pensamentos, o que sabemos sobre sua forma de raciocinar são os textos de Platão, um de seus principais discípulos.

Diálogos sobre o significado da palavra conhecimento aparecem em textos famosos de Platão, como Mênon, Timeu, Teeteto e na República. Neles, o conceito é definido como uma opinião verdadeira que possui justificativas. Sendo assim, o conhecimento e a opinião se separam devido ao viés racional inerente ao primeiro.

Mas o que seria uma opinião justificada pela verdade? Essa resposta não foi obtida pelos filósofos clássicos, tendo em seus textos, tanto Platão quanto Aristóteles, uma noção expressa bastante vaga sobre tal ponto. Essa definição é explorada mais claramente pelos autores modernos, que utilizam o conceito de “evidência” para justificar que uma opinião é na verdade um conhecimento.

Quando migramos esse olhar para o campo científico, a evidência ganha ainda mais peso, podendo ser obtida por uma observação empírica ou mesmo por explicações de cunho mais abstrato, como as equações físicas que justificam a movimentação de um corpo celeste cuja verificação ainda não é possível.

Conhecimento na pedagogia

O conhecimento dentro da pedagogia tem como função, fazer com que a pessoa aprenda de forma rápida sobre determinado assunto a partir da aplicação e fixação de conceitos, matérias e princípios que já foram aprendidos por outras pessoas.

Autoconhecimento

O autoconhecimento diz respeito ao conhecimento que o indivíduo tem sobre si mesmo. Quando ele desenvolve tal habilidade, a pessoa consegue identificar suas competências e habilidades, trabalha seus pontos de melhoria, entende quais são seus medos, limitações e expectativas, fortalece sua inteligência emocional, repensa suas atitudes e se adapta mais facilmente às mudanças.

Aplicação do conhecimento

Saber que um fato se constitui em uma verdade justificada é só o primeiro passo. Mais importante que obter conhecimento é a gestão aplicada a ele, ou seja: de que forma a pessoa utiliza o conhecimento adquirido para transformar sua vida e a das outras pessoas, sempre para melhor.

Tipos de conhecimento

Entenda a seguir, os tipos de conhecimento existentes:

Conhecimento científico

Diz respeito a informações e dados que possuem comprovação com base em métodos científicos. Para que esse conhecimento se torne possível, é necessário que sejam realizados teste e pesquisas capazes de comprovar determinada teoria, ou seja, esse termo se refere a um conjunto de preposições que devem ser seguidas para se chegar a “verdade sobre algo”.

O método científico foi discutido abertamente pela primeira vez na famosa obra de René Descartes, “Discurso do Método”. O autor faz um resgate histórico dos conceitos utilizados para se chegar à “verdade”. Basicamente, esse método parte do pressuposto de que tudo pode ser reduzido a partes cada vez menores e que deverão ser analisadas separadamente. Dessa definição, surgiu a famosa frase: “para compreender o todo, basta compreender as partes”.

 

Descartes mostra, no penúltimo capítulo do Discurso, a aplicação prática do método a algumas questões científicas. Entre elas, destaca-se a descrição dos animais não-humanos como máquinas orgânicas complexas, marca do mecanicismo atribuído a Descartes.

De fato, Descartes afirma que vários dos comportamentos do próprio ser humano são passíveis de explicações mecânicas. O que diferenciaria o ser humano dos demais animais seria a capacidade de responder criativamente ao meio, em especial através da linguagem. Trata-se de uma antecipação do famoso teste de Turing, usado para determinar a existência de inteligência com base na capacidade criativa de algo ou alguém.

O Método, em seu aspecto de dividir, ordenar e classificar, é a base de muitos conceitos científicos que vieram a ser desenvolvidos nos anos subsequentes, de grande importância para a humanidade: o sistema de coordenadas cartesiano, o cálculo, a geometria analítica e a disposição estatística em histogramas.

A grande contribuição (para alguns, desastrosa) de Descartes para a ciência moderna está, efetivamente, na descaracterização de um mundo enquanto qualitativo e sua redução a um mundo puramente quantitativo.

 

No Discurso, concluiu-se que Deus existe, assim como o eu pensante ou alma (res cogitans) e a matéria ou extensão (res extensa, isto é, o corpo - esta concessão ao realismo trouxe muitos problemas ao idealismo); tudo mais deve ser expresso em termos destas existências. O avanço da ciência em bases quantitativas levou ao abandono do mundo do "mais ou menos", e se não trouxe a derradeira resposta a tais questões, ao menos descartou-as como implicações científicas válidas perante o método científico, contudo.

Basicamente, o método científico é o grupo de regras essenciais para se chegar a um novo conhecimento ou revisar um antigo. Para que ele exista, é necessário que a proposição tenha passado por estas quatro etapas:

  • Observação: verificação de um fato ou das consequências de uma experiência;

  • Hipótese: utilizando os dados recolhidos na etapa anterior, o pesquisador sugere suposições que explicariam tal fenômeno observado;

  • Lei: descrição do fenômeno e seu funcionamento;

  • Teoria: só pode ser obtida após a realização de diversos experimentos que comprovem que a lei proposta seja realmente uma verdade. Pode ser obtida com provas empíricas ou abstratas.

Conhecimento teológico

É o conhecimento com base religião, nesse sentido, ele não tem comprovação científica, pois norteia suas explicações através da fé e a mesma é incontestável.

Conhecimento empírico

O conhecimento empírico nada mais é do que o senso comum, o popular, aquilo que é estipulado a partir da vivência, observação e experiência do ser humano com o ambiente, com as outras pessoas e o mundo como um todo. Por conta disso, esse tipo de conhecimento não se preocupa em coletar as informações com base científica, mas sim, com base nas tradições, o que aumenta as chances dos erros acontecerem.

Conhecimento filosófico

No conhecimento filosófico, é levada em consideração a relação indivíduo/rotina, norteada pelas suas reflexões subjetivas, portando, não se leva em consideração coisas materiais. Através desse tipo de conhecimento são construídas questões acerca do mundo e do ser humano.

Dado, informação e conhecimento

Os conceitos de dado, informação e conhecimento são constantemente confundidos, entenda cada um deles:

Dado

O dado refere-se a um conjunto de códigos. Quando estes são interpretados, eles passam a ter um significado e se tornam um registro de um evento, podendo ser repassado de um sistema para outro ou ainda de uma pessoa para outra. Quando isso acontece, ou seja, quando o dado é repassado, a pessoa obtêm uma informação. Nesse sentido, é possível afirmar que o dado é a base da informação.

Informação

Como dito anteriormente, a informação é a interpretação de um conjunto de dados dentro de um contexto, o que a torna um elemento com significado não apenas para uma pessoa específica, mas sim, para grupos diversos, podendo ser acumulada, processada e repassada. Quando a informação é decodificada, ela se torna a base para a construção do conhecimento.

Conhecimento

O conhecimento nada mais é, do que a informação tratada e absorvida por uma pessoa. Quando isso ocorre, a informação interage com processos mentais, insights, crenças, valores e experiências do

sujeito, o que ocasiona em tomada de decisão e mudança de comportamento.

Esquemas+de+fragmentos+do+Esboço+do+Méto
tomada de decisão

Tomada de decisão

Tomada de decisão é um processo cognitivo que resulta na selecção de uma opção entre várias alternativas. É amplamente utilizada para incluir preferência, inferência, classificação e julgamento, quer consciente ou inconsciente.[1]  Existem duas principais teorias de tomada de decisão - teorias racionais e teorias não racionais- variando entre si num sem número de dimensões.

Teorias racionais são por excelência normativas, baseadas em conceitos de maximização e otimização, vendo o decisor como um ser de capacidades omniscientes e de consistência interna.[1] 

Teorias não racionais, são por excelência descritivas, e têm em consideração as capacidades limitantes da mente humana em termos de conhecimento, memoria e tempo. Utilizam heurísticas como procedimento cognitivo, fornecendo uma estrutura mais realística dos processos de tomada de decisão.[1]

Teorias Racionais

As teorias racionais surgem em meados do século dezessete, quando os ideais de demonstração do conhecimento são substituídos pelo cálculo da probabilidade e pela matemática. O Homem passa a ser visto como um ser racional, dotado de uma superinteligência e capacidade cognitiva ilimitada e coerente (unbounded rationality). Com base em ciências normativas, fundamentadas em normas e axiomas, as teorias racionais estão particularmente interessadas em explicar como as decisões devem idealmente ser tomadas, ou seja, pretendem explicar como o decisor (decision-maker) deverá processar uma decisão para que esta maximize os seus ganhos e minimize as suas perdas. Com uma componente prescritiva evidente, deseja determinar o que são bons julgamentos e decisões e, principalmente, como os reconhecer.[2][1] 

A Teoria da Maximização, também designada Teoria da Utilidade Esperada (Expected Utility Theory), é uma das mais importantes teorias racionais. Uma premissa fundamental desta teoria é a ideia de que um decisor racional deve sempre maximizar os seus potenciais ganhos (utilidade) e minimizar as suas potenciais perdas (desutilidade) e que, de algum modo, as escolhas do decisor devem ser computorizadas e alocadas em forma de probabilidades.[2][1]  

De uma forma prescritiva, as árvores de decisão foram propostas para que o decisor seja capaz de selecionar a melhor opção. Através de árvores de decisão, um decisor fica apto a computorizar a utilidade esperada (UE) para cada uma das alternativas, bastando para isso determinar todas as opções possíveis para uma determinada alternativa, e a probabilidade e a utilidade para cada uma das opções. A utilidade esperada para cada opção é calculada através da multiplicação da probabilidade com a respetiva utilidade. Todas as opções referentes a uma alternativa são somadas para obter o valor da UE. A alternativa com maior UE é a alterativa que maximiza os ganhos do decisor.[2]

Teorias Não Racionais

Por não exemplificarem, de maneira realista, os processos cognitivos de um decisor, as teorias racionais foram julgadas na segunda metade do século vinte, culminando com o aparecimento das chamadas teorias não racionais. Hebert Simon, propôs o que viria a ser uma das principais teorias não racionais – Teoria da Racionalidade Limitada(bounded rationality) - como uma alternativa ao modelo rígido de tomada de decisão proposto pelas teorias racionais.[3][1]  

Segundo este conceito, o nosso raciocínio é limitado pela capacidade cognitiva da nossa mente. Sob um ponto de vista biológico e funcional, somos incapazes de encontrar e processar toda a informação inerente e necessária a uma tomada de decisão racional. Numa perspectiva mais natural e real, o decisor tem tempo, conhecimento e atenção limitados e por isso o processo cognitivo de procura de informação é muito escasso, influenciando grandemente as suas decisões.[3][1]

Para além das limitações da mente humana, Simon acrescente que as nossas decisões são fortemente influenciadas pelo ambiente que nos rodeia, o que chama de racionalidade ecológica (racionalidade que é definida pela sua integração com a realidade). Os processos cognitivos que utilizamos para resolver determinada decisão tem que ser coerentes com a estrutura do ambiente no qual a decisão está a ser tomada. É necessário haver um match entre a estrutura do ambiente e a escolha da heurística que se utiliza para resolver a incerteza da decisão.[3][1] 

Heurísticas são processos cognitivos empregues em decisões não racionais, sendo definidas como estratégias que ignoram parte da informação com o objectivo de tornar a escolha mais fácil e rápida.[4]   Heurísticas Rápidas e Frugais (fast and frugal heuristics) correspondem a um conjunto de heurísticas propostas por Gigerenzer e que empregam tempo, conhecimento e computação mínimos para fazer escolhas adaptativas em ambientes reais.[3] 

Dois sistemas no cérebro

Sistema 1 

Refere-se ao sistema intuitivo, cujo processamento da informação é rápido, ou seja, automático e paralelo. É associativo, emotivo, controlado pelos hábitos e, por isso, difícil de controlar, depende do acesso a memórias de longo prazo, além de ser um sistema ambíguo.[5]

Sistema 2

Refere-se ao sistema deliberativo, cujo processamento da informação, ao contrário do sistema 1, é lento, ou seja, requer maior esforço e é voluntário, sequencial, monitorizado, monitoriza as decisões do sistema 1, sobrepondo-se a este, o que exige redução da consciência e maior gasto de energia e é baseado em regras.[5]

Contribuição dos dois sistemas no comportamento humano

A distinção entre o sistema intuitivo e o sistema deliberativo ajuda a explicar os diversos domínios tais como, a Razão, a Categorização, a Tomada de decisão, julgamentos morais, resolução de problemas, entre outros.  No que refere às decisões intuitivas, estas exigem pouca reflexão, sendo baseadas em experiências passadas, bem como no pensamento hipotético, ou seja, modelos mentais ou simulações de futuras possibilidades. 


Desde sempre que a sociedade tem tendência em promover a racionalização de decisões. Contudo, esta tendência de deliberação pode conduzir a piores decisões do que a intuição, uma vez que nesta última as opções disponíveis estão relacionadas com informação familiar, enquanto que a deliberação tem de ter em conta todos os cenários e resultados possíveis, algo que exige muito tempo e na vida real não temos, sendo, por isso, o pensamento racional limitado. Apesar disso, o sistema deliberativo é importante, na medida em que é necessário aprender por experiência como evitar desastres, embora seja impossível ser 100% racional em todos os pequenos aspetos do dia-a-dia, pois levaria a um imenso gasto de energia e, por conseguinte, à exaustão.[5]

Correlações neuronais

Em termos neuronais, o sistema intuitivo está correlacionado com os núcleos da baseamígdala, córtex temporal lateral. Por outro lado, o sistema deliberativo está correlacionado com o córtex cingulado anterior, Córtex pré-frontal dorsolateral. De acordo com o Modelo Paralelo Competitivo de Evans ambos os sistemas 1 e 2 processam a informação em paralelo e qualquer conflito é resolvido após ambos os processos gerarem potenciais respostas e, neste caso, o cerebelo e o lobo frontal médio estão correlacionados com ambos.[5] 

 

Damásio sugere que as emoções influenciam nas decisões de forma independente da razão, uma vez que emoções como a inveja e arrependimento, estão relacionadas com o pensamento deliberativo, enquanto que emoções como o medo e o desgosto são mais imediatos e automáticos. E, portanto, as decisões emotivas podem ser o resultado de um processo cognitivo ou um conjunto comum de processos. Daí que, não há um sistema específico relacionado com as emoções, pois ambos estão.[5]

Tomada de Decisão na Administração

Na administração, a tomada de decisão é o processo cognitivo pelo qual se escolhe um plano de ação dentre vários outros (baseados em variados cenários, ambientes, análises e fatores) para uma situação-problema. Todo processo decisório produz uma escolha final. A saída pode ser uma ação ou uma opinião de escolha. Ou seja, a tomada de decisão refere-se ao processo de escolher o caminho mais adequado à empresa, em uma determinada circunstância.

  • Nível de importância dentro da organização:

    • Altamente importantes;

    • Importantes;

    • Medianamente importantes;

    • Pouco importantes;

    • Não importantes.

  • Estruturação:

    • Estruturadas;

    • Não-estruturadas.

  • Previsibilidade:

    • Rotineiras ou cíclicas;

    • Não rotineiras ou acíclicas;

    • Inéditas.

Qualquer decisão tomada na empresa, afetará ela no geral, por isso; tem que ser bem pensada a alternativa a ser escolhida, pois, deve-se pautar a tomada de decisão orientando-se e definindo caminhos a serem percorridos e pensar no que poderá ser afetado através desta decisão.

Tomar uma decisão é uma responsabilidade enorme, maior ainda para quem tem pouca experiência de trabalho, existem pessoas que tem facilidade com o processo de tomada de decisão e outras que colocam uma importância que às vezes o problema não merece e acabam por fazer errado, ou criar problema maior.

Antes de tomar uma decisão deve ser feito todo um estudo, um processo de análise para tentar diminuir a chance de que a decisão que foi escolhida seja a errada e acabe resultando em consequências negativas para a empresa. A necessidade de se tomar decisão ocorre num momento de impasse em que a mais de uma opção a seguir. Cada um de nós toma decisão baseada em aspectos subjetivos, a subjetividade não tem medida perfeita ela é organizada, sistemática e objetiva.

bottom of page