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Ciência + Religião

17 cientistas que eram também sacerdotes católicos

Ciência e fé só andam separadas na cabeça de quem quer negar alguma parte da essência humana

Aciência e a fé são parceiras que só andam separadas na cabeça de quem quer negar alguma parte da essência humana, aberta naturalmente ao conhecimento, à busca de significado e à exploração de hipóteses que possam ser confirmadas ou refutadas. Não há verdadeira ciência sem abertura ao mistério, nem fé autêntica sem abertura à investigação científica. Faz todo o sentido, por isso, que alguns dos grandes cientistas da história da humanidade tenham sido também sacerdotes.

 

Conheça 17 deles:

1 – São Silvestre II (945-1003)

 

O primeiro Papa francês da história da Igreja era matemático e foi um dos primeiros divulgadores dos numerais indo-arábicos na Europa cristã.

 

2 – Guido d’Arezzo (992 a 1050)

 

Este monge medieval é um dos responsáveis pelo sistema de notação musical moderna: foi ele quem criou o tetragrama e batizou as notas musicais (a partir das primeiras sílabas de um hino em latim a São João Batista).

 

3 – Santo Alberto Magno (1193-1280)

 

Sacerdote dominicano, bispo e Doutor da Igreja, foi também o químico a quem se credita a descoberta do arsênio.

 

4 – Roger Bacon (1214-1294)

 

Frade franciscano conhecido como “Doutor Admirável”, fez estudos e pesquisas em áreas importantes do conhecimento como a mecânica, a ótica e a geografia, além da filosofia.

 

5 – Jean Buridan (1300-1375)

 

Padre francês, foi um dos pioneiros da Teoria do Ímpeto, que abriu caminho para a dinâmica de Galileu e para o princípio da inércia de Isaac Newton.

 

6 – Nicolau Oresme (1323-1382)

 

Teólogo e bispo de Lisieux, fez estudos e pesquisas não apenas como filósofo, psicólogo e musicólogo, mas também como economista, matemático, físico e astrônomo, e, graças a esse conjunto de conhecimentos, descobriu a refração atmosférica da luz.

 

7 – Nicolau Copérnico (1475-1543)

 

Embora seja famosíssimo, ainda há muita gente que não sabe que este matemático e astrônomo polonês, pai da teoria heliocêntrica e da astronomia moderna, era sacerdote. E também era jurista, político, líder militar, diplomata e economista.

 

8 – Francesco Maria Grimaldi (1618-1663)

 

Padre jesuíta italiano, físico e matemático, ele construiu instrumentos para medir características geológicas da lua e foi pioneiro nos estudos sobre a difração da luz.

 

9 – Giovanni Battista Riccioli (1598-1671)

 

Também sacerdote jesuíta, foi o primeiro a medir a aceleração de um corpo em queda livre e é reconhecido como pioneiro da astronomia lunar.

 

10 – Athanasius Kircher (1602-1680)

 

Outro jesuíta cientista, inventor, poliglota e especialista em cultura oriental, contribuiu também com a medicina ao usar um microscópio rudimentar para examinar doentes de peste: um projetor de imagens conhecido como “lanterna mágica”, criado por ele próprio, possibilitou importantes avanços na compreensão da peste bubônica. Além disso, escreveu mais de quarenta livros, entre eles o famoso “Mundus Subterraneus” (1665), para expor o conhecimento da época sobre o interior da Terra.

 

11 – Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685-1724)

 

Este padre é um dos precursores da aviação, área em que a sua importância é relevante a ponto de que a Força Aérea Brasileira conceda todos os anos, a pessoas que prestaram serviços importantes para a aeronáutica, um prêmio que traz o nome dele: a Medalha Bartolomeu de Gusmão.

 

12 – Ruder Boskovic (1711-1787)

 

Mais um jesuíta que, além de sacerdote, era poeta, físico, astrônomo, filósofo e matemático. Influenciou na obra de nomes tão relevantes como Faraday, Kelvin e Einstein.

 

13 – Gregor Mendel (1822-1884)

 

Agostiniano austríaco e pai da genética, legou ao mundo as assim chamadas “leis de Mendel” sobre a transmissão dos caracteres hereditários.

 

14 – James B. Macelwane (1833–1956)

 

Todos os anos, a União Geofísica Americana concede a medalha James B. Macelwane a um cientista de até 36 anos de idade que tenha prestado contribuições significativas à Geofísica. O nome da medalha é uma homenagem a este padre jesuíta que se dedicou com grande empenho à formação de jovens cientistas que contribuíssem com o progresso da humanidade.

 

15 – Jean-Baptiste Carnoy (1836-1899)

 

Fundador da citologia, é dele a criação da importante fórmula da medicina conhecida como “solução de Carnoy”. Nascido na Bélgica, foi ordenado sacerdote em 1861 e se doutorou em Ciências Naturais em 1865.

 

16 – Georges Lemaître (1894-1966)

 

Padre católico belga, era astrônomo, cosmólogo e físico. Propôs a “hipótese do átomo primordial” para estudar a origem do universo, o que veio a se popularizar como a teoria do Big Bang. Na foto que ilustra este artigo, vemos o pe. Lemaître com Albert Einstein na Califórnia em 1933.

 

17 – Bonaventura Thürlemann (1909–1997)

 

A este padre beneditino e professor de matemática e física na escola do mosteiro de Engelberg, na Suíça, é reconhecida a invenção dos medidores eletromagnéticos de fluxo. Ele publicou, em 1941, um trabalho intitulado “Methode Zur Elektrischen Geschwindigkeitsmessung Von Flüssigkeiten” (Método Elétrico para a Medição da Velocidade em Líquidos).

 

E mais:

 

Para não alongar muito, sugerimos este artigo sobre a contribuição tanto histórica quanto atual da Igreja ao conhecimento científico do mundo: Harmonia entre a Ciência e a Igreja, de Alexandre Zabot, que é físico, doutor em Astrofísica, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e católico.

MAS…

 

Apesar de toda a contribuição da Igreja nos diversos campos científicos e culturais, do filosófico ao psicológico, do social ao literário, do artístico ao jurídico, do médico ao astronômico, do químico ao físico, do musical ao pedagógico (e poderíamos continuar  detalhando longamente…), ainda é grande (e surpreendente) o número de laicistas intelectualmente desonestos que teimam em pré-julgar uma Igreja que sequer conhecem – muito em desacordo com seu próprio mantra de se livrar de boatos infundados em vez de engoli-los cegamente…

Ao se fecharem arrogantemente ao que não conseguem entender, esses pseudo-cientistas incorrem no mesmo dogmatismo cego que, ironicamente, atribuem à Igreja; ou, prescindindo de toda ética, se comportam como deuses e causam catástrofes criminosas em nome de uma ciência que não passa de ideologia irresponsável; ou se alinham à prepotência eugenista do nazismo; ou deixam de enxergar a beleza que vai muito além da estreitez dos seus conceitos anticientíficos disfarçados de progresso humano – e propõem genuínas barbaridades.

Ah, mas e Galileu? Aqui. E a Inquisição? Aqui. E as Cruzadas? Aqui. E… e… e…

“Não existem nem cem pessoas que odeiam a Igreja católica. Mas existem milhões de pessoas que odeiam o que eles pensam que é a Igreja católica” (Fulton Sheen).

https://pt.aleteia.org/2017/11/17/17-cientistas-que-eram-tambem-sacerdotes-catolicos/

Einstein, Hawking, Ratzinger: ciência e religião

Einstein é, sem dúvida, o cientista mais importante do século 20, só comparável, a Newton e Galileu. Nascido em 1879, suas contribuições mais importantes à ciência foram feitas nas primeiras décadas do século 20, quando tinha entre 25 e 35 anos.

Nesse período formulou a Teoria da Relatividade, que mudou a nossa percepção do universo. Em 1921 recebeu o Prêmio Nobel, mas suas contribuições marcaram de tal forma o desenvolvimento da ciência que em 2017 foi atribuído outro Prêmio Nobel aos físicos que foram capazes de fazer a detecção das ondas gravitacionais, cuja existência ele havia previsto um século atrás.

Nos seus anos mais maduros, Albert Einstein dedicou sua atenção a problemas éticos, à filosofia, ao sionismo e ao pacifismo, entre outras questões, sobre as quais opinou com o peso de sua notoriedade como cientista.

Em 1939, já com 60 anos, escreveu um curto ensaio sobre “ciência e religião”, seguido por outro sobre o mesmo tema em 1941. Neles expõe seus pontos de vista sobre religiões e a existência de Deus.

Sabemos que ciência e religião nunca se deram muito bem. Houve um tempo, já distante, que conciliar os dois termos não só era aconselhável, mas quase obrigatório. Caso contrário, perguntem às cinzas de Giordano Bruno ou a seu compatriota Galileu, forçado muito a contragosto a reposicionar a Terra no centro do Universo quando esta já havia encontrado seu lugar. Se para os católicos a situação era difícil, os protestantes não ficavam muito atrás, e Kepler, um contemporâneo de Galileu e Bruno, esteve a ponto ver sua mãe queimada na fogueira assim como a imaginação de Bruno por suposta bruxaria.

No entanto, nem sempre os preconceitos circulam na mesma direção. Mesmo em tempos mais recentes.

Talvez um exemplo disso seja o físico e matemático belga Georges Lemaître. Nem mesmo uma cratera na Lua e o nome de uma nave espacial da ESA —o ATV5, que também já virou cinza— nos faz lembrar dele. E isso porque estamos falando do homem que se atreveu a corrigir —educadamente, é verdade— o próprio Albert Einstein, antevendo o que Edwin Hubble comprovaria mais tarde com telescópios de Mount Wilson: a expansão do Universo. O que todos nós conhecemos hoje como o Big Bang.

Lemaître nasceu em Charleroi (Bélgica), em 1894. Apaixonado pelas ciências e engenharia, teve que interromper seus estudos aos 20 anos para defender seu país, imerso na Primeira Guerra Mundial, sendo até mesmo condecorado como oficial de artilharia. Não deve ter gostado nada da experiência e, horrorizado, decidiu virar padre.

Era o ano de 1923. Mas Lemaître não abandonou sua primeira vocação. Sua formação acadêmica em física e matemática foi formidável, começando por sua passagem pela Universidade de Cambridge e terminando com um doutorado no ainda mítico Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Pouco depois, em 1927, publicaria em uma revista local o esboço de seu modelo de universo. Partindo dos postulados de Einstein —um cosmos estático de massa constante—, chega a um resultado totalmente diferente: o raio do universo tinha de crescer continuamente para ser estável. Ao tomar conhecimento da hipótese, o gênio alemão rejeita a ideia veementemente: "Seus cálculos estão corretos, mas o modelo físico é atroz". E isso mesmo levando em conta que Lemaître sempre fazia uso da famosa constante cosmológica inventada pelo próprio Einstein, a qual mais tarde o alemão renegaria com mais veemência do que a utilizada por Galileu para escapar da fogueira purificadora. Em 1931, seu trabalho chegou às páginas da Nature, detalhando sua teoria completa do "átomo primordial" ou "ovo cósmico", e de suas linhas surgiria o que depois foi chamada exclusivamente Lei de... Hubble.

Einstein e Lemaître concordaram em várias ocasiões. Einstein, agnóstico, duvidava do padre belga, já que seu modelo cosmológico logicamente era acompanhado de uma origem divina (?) no espaço-tempo, e tanto ele quanto muitos astrofísicos não gostavam nada disso. Mas o admirava. Uma vez, durante uma estadia em Bruxelas e dando uma palestra diante de um público erudito, Einstein espetou: "Suponho que não devem ter entendido nada, exceto, claro, o abade Lemaître". Em território comanche, juntos em Princeton, Einstein também deixou escapar ao ouvir seu colega belga pregar: "Esta [de Lemaître] é a mais bela explicação da Criação que já ouvi". O detalhe é que realmente estava falando sério.

Naturalmente, a fama de Lemaître não demorou para chegar ao Vaticano. Apesar das tentativas depreciativas do tão brilhante quanto desbocado Fred Hoyle e dos seguidores da teoria do universo estacionário — o mesmo Hoyle, durante um programa da Rádio BBC, batizaria com bastante veneno a teoria de Lemaître como Big Bang, em 1949 —, o modelo de universo em permanente expansão era imparável. Lemaître ocupou diferentes cargos na Academia Pontifícia das Ciências, sendo assessor pessoal do Papa Pio XII.

 

E este não queria deixar passar tal oportunidade. Se o Universo tem 13,7 bilhões de anos, importaria muito se fosse criado em sete dias bíblicos ou em pouco mais de 10 segundos? Para o grande pesar de Pio XII —que, curiosamente, foi elogiado por Einstein em sua defesa dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial—, Lemaître evitou explorar a ciência para o benefício da religião. São suas as palavras:

Einstein, agnóstico, duvidava do padre belga, já que seu modelo cosmológico era acompanhado de uma origem divina Mas o admirava

Depois de escutar Lemaître, o prudente Pio XII abandonou a ideia de transformar o Big Bang em um dogma de fé

"O cientista cristão tem os mesmos meios que seu colega não crente. Também tem a mesma liberdade de espírito, pelo menos se a ideia que tem das verdades religiosas está à altura de sua formação científica. Sabe que tudo foi feito por Deus, mas também sabe que Deus não substitui suas criaturas. Nunca será possível reduzir o Ser Supremo a uma hipótese científica. Portanto, o cientista cristão avança livremente, confiante de que sua pesquisa não pode entrar em conflito com sua fé". Depois de escutar Lemaître, o prudente Pio XII abandonou a ideia de transformar o Big Bang em um dogma de fé.

Lemaître morreu em 1966, apenas dois anos após a descoberta irrefutável da radiação de fundo em micro-ondas, o eco proveniente da origem do Universo, de seu Big Bang. Talvez seu nome pintado na placa de uma nave espacial não faça justiça suficiente a uma mente —crente ou não— divina.

Segundo Einstein, existe entre muitos cientistas a ideia de que é preciso substituir a crença pelo conhecimento e de que não há lugar na ciência para superstições e religião, ou seja, que os cientistas são necessariamente ateus. Ele não concorda com essa visão, pois o método científico não pode ensinar nada além do modo como os fatos se relacionam e quais as relações de causa e efeito entre eles. Não cabe aos cientistas negar a existência de Deus, mas apenas tentar explicar os fenômenos que ocorrem em torno de nós sem recorrer a hipóteses que não podem ser comprovadas, como a existência de Deus.

Só para dar um exemplo, o movimento da Terra e dos planetas em torno do Sol é completamente explicado pela Lei da Gravitação Universal de Newton, não sendo necessário invocar a divindade para explicá-lo. Nesse caso é bem conhecida a resposta que Laplace, cientista francês, deu a Napoleão, a quem mostrou um modelo dosistema solar baseado nas ideias de Newton. Napoleão disse a Laplace que não via a presença de Deus no modelo, Laplace respondeu que não tinha necessidade dessa “hipótese” para explicar os movimentos da Terra e dos planetas.

Einstein rejeita a ideia de “Deus pessoal”, no que se aproxima das ideias de Spinoza, em que Deus se revela na harmonia de tudo o que existe, e não o Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos humanos. Segundo ele, durante o período juvenil da humanidade a fantasia humana criou a sua própria imagem de deuses que por seus atos de vontade supostamente determinariam ou ao menos influenciariam o mundo. O homem procurava alterar a disposição desses deuses a seu próprio favor pela magia e pela prece. O caráter antropomórfico desse Deus se revela especialmente quando as pessoas tentam lidar com a morte ou violentos conflitos entre pessoas e entre nações, e se refugiam na ideia da existência de um paraíso ou da reencarnação.

Essa é uma das explicações que têm sido dadas para o fato de a religião ter-se tornado tão popular na Rússia após 70 anos do regime comunista, declaradamente ateu, que tentou eliminar o apoio a ela, considerada pelo regime como o “ópio do povo”.

Joseph Ratzinger, que se tornou Bento XVI em 2005 e abdicou do papado há cinco anos, nasceu em 1927 e foi provavelmente o papa mais culto dos últimos séculos. Um estudioso e pesquisador, ele escreveu extensamente sobre as origens do cristianismo.

Considerado um papa conservador, presidiu a sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, na qual disciplinava os que se afastavam dos caminhos tradicionais da Igreja Católica.

Surpreendentemente, contudo, nos livros que escreveu Ratzinger tem posições esclarecidas sobre os conflitos entre ciência e religião.

Ratzinger fez um esforço considerável em seus escritos para evitar os erros que a Igreja cometeu no passado, por exemplo, condenando Galileu por não reconhecer que a Terraera o centro do sistema solar. Mais ainda: ele não nega a Teoria da Evolução de Darwin, ao declarar num dos seus escritos que no “código genético humano nós reconhecemos a linguagem de Deus”. A crença de que todos os seres vivos têm origem no ato da Criação deixa de ser necessária.

Ratzinger nos diz ainda que a Bíblia não pretende narrar de forma literal a história da “criação do universo em seis dias”. Como se sabe a ciência já estabeleceu que o nosso universo foi criado numa grande explosão, o “big-bang”, cerca de 13 bilhões de anos atrás. Haveria aqui um papel essencial para o criador, que Einstein não nega. Antes de Ratzinger, o papa João Paulo II já havia admitido que esse era o único papel do Criador e o que se seguiu depois da explosão inicial decorre das leis da física, sem a necessidade de invocar Deus a todo instante.

As percepções de Einstein e de Ratzinger parecem mostrar alguma convergência; a de um cientista que não se diz ateu ou materialista, mas acredita em algo superior ao homem, e a de um sacerdote inteligente que reconhece que não é necessário invocar o nome de Deus para explicar o que acontece em torno de nós, como a evolução da vida, o movimento dos planetas e a evolução do universo.

Contudo Hawking, o grande físico inglês falecido recentemente, desqualificou a necessidade do Criador na origem do universo ao sugerir que ele surgiu como resultado de flutuações quânticas. Em seu trabalho ele faz uma analogia com as bolhas que se formam quando a água ferve. Cada uma dessas bolhas, que se expandem, é como um universo – dos quais há muitos, tal como as bolhas na água fervente.

Essas teorias são controvertidas e aguardam confirmação experimental. Enquanto isso não se concretizar, a polêmica sobre a existência de Deus vai continuar.

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