
CIÊNCIAS
INTERDISCIPLINARES
Várias Disciplinas

Multidisciplinaridade
Trabalho simultâneo e não relacionado de diferentes disciplinas
Presente na estrutura de muitos currículos, a multidisciplinaridade é um modo tradicional de trabalhar diferentes disciplinas de maneira simultânea, mas sem que elas estabeleçam uma relação entre si. Esta estratégia não promove a articulação entre campos de conhecimento e proporciona um aprendizado fragmentado.
Um aluno pode aprender números naturais em matemática, estudar sobre o solo em ciências e observar tipos de solo em geografia. No entanto, não são exploradas as conexões entre os temas.
Equipe multidisciplinar
Uma equipe multidisciplinar é um grupo de produção intelectual, material ou de ambos, composta por integrantes que atuam em áreas diferentes, mas que se completam para o desenvolvimento de um projeto específico. Tal grupo reúne uma quantidade de disciplinas sem que cada uma perca a sua identidade, seus métodos, teorias e pressupostos, assim, fazendo com que um mesmo tema ou objeto possa ser estudado sob o enfoque de diversas disciplinas. [1]
Normalmente, uma equipe multidisciplinar inclui funcionários de todos os níveis de uma organização. Os membros também podem vir de fora da organização (particularmente de fornecedores, principais clientes ou consultores). Pode contar, por exemplo, com o pessoal do departamento de finanças, marketing, operacional e de recursos humanos.
Essas equipes geralmente funcionam como equipes auto-dirigidas que respondem às amplas diretivas. A tomada de decisão dentro de uma equipe pode depender de consenso, e geralmente é levada por um líder da equipe.
Características
Diz-se, por exemplo, que uma equipe é multidisciplinar quando cada profissional detém conhecimentos em áreas específicas. Cada membro da equipe contribui com o conhecimento e a prática próprias da sua área de conhecimento e aprende com as demais áreas, porém sem abandonar a sua. [2]
Essas equipes também podem ser chamadas de equipe multifuncional, time de trabalho, coité ou célula de trabalho, que ao serem montadas levam em consideração o projeto que é proposto, assim montando uma equipe que acata inteiramente os requisitos necessários para o perfeito planejamento e desenvolvimento podendo essa equipe ser modificada ao passar do tempo e evolução do projeto para atenderem melhor. [1]
As equipes multidisciplinares geralmente são gerenciadas pelos gestores do planejamento, este podendo ser o patrocinador do projeto ou não; costumam ser as pessoas com mais conhecimento e interesse pelo que é proposto, estabelecendo caminhos a serem percorridos e metas a serem traçadas. Seus subordinados em momento algum devem ser vistos com uma importância menor por fazerem parte de um todo onde cada um desempenha uma função primordial para o alcance do objetivo.[1]
Contar com equipes multidisciplinares proporciona a condensação do conhecimento prático de diversos profissionais como, por exemplo, especialistas em tecnologia da informação, analistas de negócios e consultores com capacitação em redesenho de processos, e consequentemente, a organização como um todo sofre menos com as mudanças. [3]
No ambiente empresarial, as equipes multidisciplinares são comumente utilizadas para processos de implantação de novos sistemas de gestão integrada ou para promover mudanças em algum processo do dia a dia da empresa.
O método de trabalho é eficaz, pois mantém o enfoque na solução dos problemas no sistema de forma integrada, permitindo a formação de especialistas que acrescentarão às suas próprias capacidades a aptidão para atuar como membros de equipes multidisciplinares.[2]
O crescimento de equipes multidisciplinares auto-dirigidas tem influenciado os processos de tomada de decisão e das estruturas organizacionais. Apesar da teoria de gerenciamento desejar propor que todo tipo de estrutura organizacional necessita tomar decisões estratégicas, táticas e operacionais, novos procedimentos têm começado a surgir e que funcionam melhor com equipes.
A implantação de um deste sistema de gestão, é uma etapa complexa para uma empresa e que leva muitas vezes a mudanças organizacionais com impactos nos modelos de gestão, na arquitetura organizacional, no estilo gerencial, nos processos de negócios e, principalmente, nas pessoas. [3]
A contratação de profissionais experientes e que tem bons conhecimentos sobre negócios é considerado um aspecto crítico, principalmente para empresas de pequeno e médio porte, pois o custo é extremamente alto, principalmente quando se trata de projetos longos e complexos.[3]
Aplicação
É comum encontrarmos um exemplo de equipe multidisciplinar quando analisamos a equipe hospitalar, em que encontramos diversos profissionais, incluindo aqueles que não assistem as pessoas hospitalizadas diretamente, tais como equipe de higienização, radiologista, anestesista, dentre outros. Considerando apenas a equipe multidisciplinar formada pelos profissionais que assistem diretamente os indivíduos, podem ser encontrados: médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, fisioterapeutas, entre outros. A equipe tem sua formação centrada nas necessidades da pessoa, portanto, ela não é preorganizada. A demanda do enfermo é que fará com que os profissionais da saúde se integrem, com o propósito de satisfazer as necessidades globais da pessoa, proporcionando seu bem-estar. [4]
Tratando-se ainda do exemplo hospitalar, um estudo identificou que um dos problemas detectados na administração de terapia nutricional em pacientes hospitalizados foram a oferta inadequada de nutrientes, as complicações infecciosas e metabólicas e o uso excessivo de nutrição parenteral. Nos estudos comparativos, a presença da equipe multidisciplinar melhorou o padrão de oferta nutricional, reduziu a incidência de complicações e os custos. [5]
A complexidade da atenção ao adolescente se coloca como um desafio para as equipes de saúde porque não existe uma fórmula predeterminada que possa ser considerada de sucesso. Porém, diferente das outras fases da vida, pela rapidez com que os eventos ligados ao desenvolvimento ocorrem, a vinda a um serviço de saúde poderá representar uma oportunidade única para o profissional de saúde interferir em um processo que poderá vir a ser desastroso para o sujeito. Neste contexto, a atuação junto a esta clientela de equipes multidisciplinares tem sido preconizada como mais efetiva, não devendo, portanto, ser subestimada a importância do desempenho adequado de cada membro das mesmas.
Interdisciplinaridade
Integração de diferentes áreas do conhecimento em torno de um eixo comum
Estratégia que integra diferentes áreas do conhecimento para um fim comum. A interdisciplinaridade é uma forma de superar a fragmentação das disciplinas para propor um aprendizado menos compartimentado e mais compartilhado, que une conceitos, teorias e métodos para desenvolver projetos, compreender fenômenos e resolver problemas.
Interdisciplinaridade
A interdisciplinaridade parte da palavra "interdisciplinar", que tem, como conceito, o que é um comum a duas ou a mais disciplinas. Diz respeito ao processo de ligação entre as disciplinas. Sendo assim, interdisciplinaridade é uma proposta onde a forma de ensinar leva em consideração a construção do conhecimento pelo aluno. Ela é uma prática que não dilui as disciplinas no contexto escolar, mas que amplia o trabalho disciplinar na medida em que promove a aproximação e a articulação das atividades docentes numa ação coordenada e orientada para objetivos bem definidos.
Voltada para a formação do indivíduo, a interdisciplinaridade propõe a capacidade de dialogar com as diversas ciências, fazendo entender o saber como um todo, e não como partes ou fragmentações. Trata-se de um movimento, um conceito e uma prática que está em processo de construção e desenvolvimento dentro das ciências e do ensino das ciências, sendo, estes, dois campos distintos nos quais a interdisciplinaridade se faz presente. Assim, interdisciplinaridade é parte de um movimento que busca a superação da disciplinaridade.
Definir um objeto que está em construção, coexistindo com aquele que o estuda, é uma tarefa difícil e até certo ponto parcial, uma vez que este objeto está se transformando e se alterando. Assim, toda discussão sobre interdisciplinaridade é passível de análise comparativa com o material contemporâneo sobre o tema até que este esteja melhor desenvolvido e articulado, muito mais pela prática do que pela teoria, uma vez que a interdisciplinariedade esta acontecendo, e a partir disso, uma teoria tem sido desenvolvida.
Um estudo epistemológico é proveitoso para a delimitação do tema. Existem quatro palavras que são particularmente relacionadas entre si e todas delimitam uma abordagem científica e educacional. Pluridisciplinaridade, multidisciplinaridade, "interdisciplinaridade" e transdisciplinaridadeː o que há em comum nestas palavras é a palavra disciplina, que deve ser entendida como aquelas "fatias" dos estudos científicos e das disciplinas escolares, tais como matemática, biologia, ciências naturais, história etc. e de um esforço em superar tudo o que está relacionado ao conceito de disciplina.
Origem e conceitos
A interdisciplinaridade tem suas raízes na história da ciência moderna, sobretudo aquela produzida a partir do século XX. Por isso, para compreender este movimento, é necessário apresentar algumas considerações sobre esta temática.
Princípio dos estudos científicos
Desde o século XV, a ciência passou por uma grande mudança em toda a sua estrutura, o que resultou numa explosão de novos conhecimentos, novas práticas e técnicas de pesquisa, isso tem início com o renascimento e com a perda, por parte da igreja, do poder que exercia sobre o homem e a sociedade. Pesquisas até então condenadas e censuradas começavam a ser feitas, por exemplo pesquisa da anatomia humana através da dissecação de cadáveres. Galileu, Da Vinci, Copérnico, entre outros, surgem com grandes inovações e ideias que alterariam o pensamento humano. Com tudo isso, surge definitivamente a ciência e a pesquisa científica, tomando lugar entre a teologia e a filosofia, com a missão de apresentar a razão em oposição a fé e a pesquisa em oposição ao discurso e a retórica.
Disciplinarização do conhecimento
Num período muito curto, a ciência tem seus fundamentos desenvolvidos e sua principal função torna-se a de compreender as coisas partindo do macro, do todo, até chegar no micro, na menor partícula, na menor parte, a fim de ter uma visão mais profunda do todo. Então o movimento que a ciência passa a realizar é partir da compreensão já existente das coisas, por exemplo, das ideias postas do que é o homem, seu corpo, seus membros, seus sistemas, o funcionamento do corpo etc., em direção à menor partícula que possa ajudar a definir e compreender esse mesmo homem. Assim, iniciam-se as pesquisas em anatomia humana, pesquisas em microbiologia humana, até, bem recentemente, chegar-se a um grande contingente de informações e conhecimentos do que é o homem, tendo chegado até o DNA.
Importante observar que, segundo o exemplo dos estudos do homem, com o tempo o volume de estudos e de informações levantadas foi ficando grande ao ponto de ser necessária a criação de novas subcategorias que dessem conta de continuar as pesquisas e dominar os conhecimento adquiridos, em outras palavras, a disciplina de ciências passa a ter uma nova disciplina especifica que responderia então por um conhecimento especifico da ciência absoluta. Esse processo se repete exatamente como se dá a divisão celularː quando uma disciplina está desenvolvida o suficiente, ela se divide e dá origem a outra disciplina, distinta da primeira em seu objeto de estudo e exigente quando ao pesquisador que deve dominá-la, que é o especialista.
Através deste movimento, partindo do século XV, em que existia somente a disciplina de ciência, que era dominada por todos os estudiosos envolvidos, chega-se ao século XXI com uma infinidade de disciplinas especializadas nas mais diversas frações da ciência, tais como ciências sociais, sociologia, antropologia, psicologia, anatomia geral, anatomia específica ou neurologia, cardiologia, fisiologia, ciências da natureza, biologia, microbiologia, ciências exatas, química, física, e muitas outras, cada uma sendo responsável por uma pequena fração, ou especialidade da ciência, e cada uma com um especialista diferente, que domina somente a sua especialidade, aquela fração do conhecimento.
Diferenciação entre disciplina escolar e científica
Embora o termo "disciplina" seja empregado para mencionar tanto as frações do conhecimento científico, como frações dos estudos escolares, e em muitos casos tenham os mesmos nomes, tais como história, matemática, química, física etc. As ligações entre umas e outras está somente nisso. Não há relação direta entre uma disciplina científica e uma disciplina escolar com mesmo nome, o que se dá é que, remotamente, o objeto de estudo de uma e outra disciplina é o mesmo, porém a disciplina escolar não apresenta todos os conhecimentos da disciplina científica, por vezes até foge um pouco desses conhecimentos, como no caso da disciplina escolar de geografia, que não contempla a cartografia, a geologia, dentre outras. Isso se dá porque as funções de uma e outra disciplina são diferentes.
É importante observar que as disciplinas escolares tomam muito daquilo que é produzido pelas disciplinas científicas e revestem esses conhecimentos de funções didáticas que têm a função de levar os alunos a conhecerem, mesmo que minimamente, o que é produzido pelo homem em termos de conhecimento e estudos.
Transdisciplinaridade e multidisciplinaridade
Transdisciplinaridade
A transdisciplinaridade é uma abordagem científica que visa à unidade do conhecimento. Desta forma, procura estimular uma nova compreensão da realidade articulando elementos que passam entre, além e através das disciplinas, numa busca de compreensão da complexidade do mundo real. Além disso, do ponto de vista humano, a transdisciplinaridade é uma atitude empática de abertura ao outro e seu conhecimento.[1]
É um termo originalmente criado por Jean Piaget, que, no I seminário Internacional sobre pluridisciplinaridade e interdisciplinaridade, realizado na Universidade de Nice, também conhecido como Seminário de Nice, em 1970, divulgou, pela primeira vez, o termo, dando, então, início ao estudo sobre o mesmo, pedindo para que os participantes pensassem no assunto.
Hoje, tendo o Centre International de Recherches et d`Études transdisciplinaires (CIRET) como um dos principais centros mundiais de estudos sobre os conceitos transdisciplinares, é um dos mais complexos, e por consequência um dos mais estudados conceitos, onde ao mesmo tempo procura uma interação máxima entre as disciplinas porém respeitando suas individualidades, onde cada uma colabora para um saber comum, o mais completo possível, sem transformá-las em uma única disciplina.
E é na Carta da transdisciplinaridade,[2] produzida no I Congresso Mundial de Transdisciplinaridade 1994, realizado em Arrábida, Portugal, com fundamental colaboração do CIRET e apoio da UNESCO, em que temos uma definição do conceito transdisciplinar:
* Artigo 3: "(...) A Transdisciplinaridade não procura a dominação de várias disciplinas, mas a abertura de todas as disciplinas ao que as atravessa e as ultrapassa."[2]
* Artigo 7: A transdisciplinaridade não constitui nem uma nova religião, nem uma nova filosofia, nem uma nova metafísica, nem uma ciência das ciências."[2]
No âmbito acadêmico, já no século XX, com o intuito de unir o mundo "não universitário" ao universitário, cuja separação se dá primordialmente pela hiperespecialização profissional, com grande número de disciplinas que não acompanham todo o desenvolvimento, principalmente na área tecnológica, temos um aprofundamento na utilização deste conceito, visando formar profissionais cada vez mais completos, compatíveis com as exigências do mercado de trabalhoque este futuro profissional encontrará.
Assim tão complexo quanto os problemas que tenta solucionar, tem-se a transdisciplinaridade, que por ser tão sutil, ser a linha tênue que une e serve de limite entre o comprometimento e o individualismo de cada disciplina, que não possui uma definição exata, e ao mesmo tempo é um dos mais necessários conceitos quando tratamos de formação e educação.
Multidisciplinariedade
Multidisciplinaridade é um conjunto de disciplinas a serem trabalhadas simultaneamente, sem fazer aparecer as relações que possam existir entre elas, destinando-se a um sistema de um só nível e de objetivos únicos, sem nenhuma cooperação. A multidisciplinaridade corresponde à estrutura tradicional de currículo nas escolas, o qual encontra-se fragmentado em várias disciplinas.
De acordo com o conceito de multidisciplinaridade, recorre-se a informações de várias matérias para estudar um determinado elemento, sem a preocupação de interligar as disciplinas entre si. Assim, cada matéria contribui com informações próprias do seu campo de conhecimento, sem considerar que existe uma integração entre elas. Essa forma de relacionamento entre as disciplinas é considerada pouco eficaz para a transferência de conhecimentos, já que impede uma relação entre os vários conhecimentos.
Segundo Piaget, a multidisciplinaridade ocorre quando "a solução de um problema torna necessário obter informação de duas ou mais ciências ou setores do conhecimento sem que as disciplinas envolvidas no processo sejam elas mesmas modificadas ou enriquecidas". A multidisciplinaridade foi considerada importante para acabar com um ensino extremamente especializado, concentrado em uma única disciplina.
A origem da multidisciplinaridade encontra-se na ideia de que o conhecimento pode ser dividido em partes (disciplinas), resultado da visão cartesiana e depois cientificista, na qual a disciplina é um tipo de saber específico e possui um objeto determinado e reconhecido, bem como conhecimentos e saberes relativos a esse objeto e métodos próprios. Constitui-se, então, a partir de uma determinada subdivisão de um domínio específico do conhecimento. A tentativa de estabelecer relações entre as disciplinas é que daria origem à chamada interdisciplinaridade.
A multidisciplinaridade difere da pluridisciplinaridade porque esta, apesar de também considerar um sistema de disciplinas de um só nível, possui disciplinas justapostas situadas geralmente no mesmo nível hierárquico e agrupadas de modo a fazer aparecer as relações existentes entre elas.
Há registos de projetos a aplicarem a multidisciplinaridade nas observações de pares, como é o do caso do projeto De Par em Par na Universidade do Porto em Portugal.
Diferenças entre transdisciplinaridade e interdisciplinaridade
A transdisciplinaridade não significa apenas que as disciplinas colaboram entre si, mas significa também que existe um pensamento organizador que ultrapassa as próprias disciplinas. É diferente de interdisciplinaridade, que exemplificando através de uma analogia, é basicamente como as Nações Unidas, que simplesmente une para discutir os problemas particulares de cada região. Nisto, a transdisciplinaridade é mais integradora.
Conforme o Artigo 3 da Carta da transdisciplinaridade,[2] "a Transdisciplinaridade é complementar da aproximação disciplinar; ela faz emergir da confrontação das disciplinas novos dados que as articulam entre si e que nos dão uma nova visão da natureza e da realidade."
Mas, para haver essa dita transdisciplinaridade, é preciso haver um pensamento organizador, chamado pensamento complexo. Pela criação de um meta ponto de vista e não de um ponto de vista. O verdadeiro problema não é fazer uma adição de conhecimento, é organizar todo o conhecimento.
Aplicação na ciência
Como indicado anteriormente, a interdisciplinaridade surge no século XX como um esforço de superar o movimento de especialização da ciência e superar a fragmentação do conhecimento em diversas áreas de estudo e pesquisa.
A ciência, no século XX, tornou-se especializada ao ponto de não ser mais possível realizar o movimento pretendido quando do início da especialização, que era chegar ao micro para conseguir ver o todo de forma plena e completa, e também, chegou-se ao ponto em que, em algumas áreas, não era mais possível continuar aprofundando no conhecimento, tendo chegado ao limite do que era possível a determinadas especialidades pesquisar.
Então a interdisciplinaridade surge como proposta para a realização do movimento inverso, partir do micro e retornar ao todo. Com isso, com a aplicação da interdisciplinaridade na ciência, surgem novas disciplinas agregadoras, que unem áreas específicas do conhecimento a fim de compreender fenômenos que seriam incompreensíveis com os conhecimentos de apenas uma área, como é o caso da bioengenharia, que une as áreas da biologia e engenharia a fim de dar conta de estudos que uma ou outra disciplina sozinha não daria conta.
Novas práticas de pesquisa
Com a ampliação da aplicação da interdisciplinaridade na ciência, têm se desenvolvido novas práticas de pesquisa. Muitas disciplinas que, até então, eram consideradas incomunicáveis, considerada a distância entre seus objetos de estudo, estão sendo reunidas para dar respostas a novos problemas de pesquisa e a questões que uma única disciplina não é capaz de responder.
Novas disciplinas científicas
Para Pompo[6] houve o aparecimento de novos tipos de formações disciplinares. Ela organizou em três grandes tipos:
a) Ciências de fronteiras
São disciplinas híbridas que se constituem pelo cruzamento de duas disciplinas tradicionais, quer no âmbito das ciências exatas e da natureza (por exemplo, a Biomatemática, a Bioquímica ou a Geofísica), das ciências sociais e humanas (Psicolinguística ou história da economia), quer entre umas e outras (Sociobiologia, etologia), quer ainda entre ciências naturais e disciplinas técnicas (Engenharia Genética ou Biónica).[6]
b) Interdisciplinas
São novas disciplinas que surgem do cruzamento, também ele inédito, das disciplinas científicas com o campo industrial e organizacional. Por exemplos: Relações Internacionais e Organizacionais, sociologia das organizações, psicologia industrial, ou ainda esse eloquente exemplo que é constituído pela investigação operacional, investigação operacional que resultou da conglomeração, ou mesmo da fusão, entre cientistas, engenheiros e militares.[6]
c) Interciências
São várias, e é impossível estabelecer qualquer espécie de hierarquia entre elas. Os exemplos mais pertinentes são a ecologia, as Ciências Cognitivas, a Cibernética e as Ciências da Complexidade. Neste conjunto temos várias novidades epistemológicas. Por exemplo, no que diz respeito às ciências cognitivas.[6]
Aplicação na educação
A interdisciplinaridade está presente na educação desde que começou a ser aplicada na ciência.
No nível básico
Muitos projetos e práticas têm sido adotados, sobretudo nos terceiro e quarto ciclo e ensino médio, numa tentativa de superar a fragmentação do conhecimento e criar uma relação entre o conhecimento e a realidade do aluno.
No nível superior
Há um destaque maior para a interdisciplinaridade no nível superior, dadas as questões da reforma do ensino superior e o desafio de formar profissionais mais bem preparados para o mercado de trabalho.
Na prática
Na prática, a interdisciplinaridade é um esforço de superar a fragmentação do conhecimento, tornar este relacionado com a realidade e os problemas da vida moderna. Muitos esforços têm sido feitos neste sentido na educação. Na ciência, por sua vez, os esforços estão na busca de respostas, impossíveis com os conhecimentos fragmentados de uma única área especializada.
Principais autores
A pesquisa sobre interdisciplinaridade ainda é muito recente, mesmo assim existem alguns autores já destacados por sua produção sobre o tema. São eles: Ivani Fazenda, que possui várias publicações sobre o tema e sua relação com a educação e é coordenadora de uma equipe de pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo que desenvolve diversas pesquisas sobre o tema; Hilton Japiassu, que possui também diversas publicações sobre o tema, tanto em sua manifestação na educação como na ciência; em Portugal, se destaca a autora Olga Pombo, que é também pesquisadora sobras as manifestações do tema no Brasil e em Portugal e já esteve no país ministrando diversas palestras sobre o assunto.
Interdisciplinaridade é a integração de dois ou mais componentes curriculares na construção do conhecimento.
A interdisciplinaridade surge como uma das respostas à necessidade de uma reconciliação epistemológica, processo necessário devido à fragmentação dos conhecimentos ocorrido com a revolução industrial e a necessidade de mão de obra especializada.
A interdisciplinaridade buscou conciliar os conceitos pertencentes às diversas áreas do conhecimento a fim de promover avanços como a produção de novos conhecimentos ou mesmo, novas subáreas.

Transdisciplinaridade
Abordagem curricular que transcende a fronteira entre as disciplinas
Promove um nível de integração curricular que vai além da interdisciplinaridade, de modo que não é possível estabelecer separações entre disciplinas. Essa estratégia prevê a cooperação entre diferentes campos do conhecimento para organizar o ensino e a aprendizagem em torno da construção do significado no contexto de temas ou problemas do mundo real.
Transdisciplinaridade
é uma palavra grande e até complicada de ler. Ela tem um significado bem profundo que deve ser discutido, principalmente se você é do meio educacional. Confira nosso artigo para saber o que é transdisciplinaridade e como aplicar na educação.
Em uma pesquisa rápida olhando apenas o dicionário, você vai encontrar o seguinte significado: “A transdisciplinaridade significa mais do que disciplinas que colaboram entre elas em um projeto com um conhecimento comum a elas, significa também que há um modo de pensar organizador que pode atravessar as disciplinas e que pode dar uma espécie de unidade. É qualquer coisa que é mais profundamente integradora”. – Retirado do Dicionário informal.
Deu para compreender um pouco sobre o assunto? Esse tema pode ser desafiador, e por isso você precisa se aprofundar melhor para entender por completo. Por isso convido você a mergulhar nesse tema conosco e aprender como pode praticar a transdisciplinaridade.
Esse termo é integrador, é como a disciplina ecologia que usa de várias ciências como: sociologia, biologia, geografia e outros para constituir uma unidade complexa a ser estudada. Ela trabalha a unidade do conhecimento, procura de certa forma estimular uma nova compreensão da realidade, ligando elementos que passam entre, além e através das disciplinas.
Esse termo foi criado por Piaget, ele divulgou o assunto pela primeira vez no I seminário Internacional sobre pluri e interdisciplinaridade, realizado na Universidade de Nice, em 1970. Foi nesse momento que deu início ao estudo sobre o mesmo, pedindo para que os participantes pensassem no assunto.
Atualmente um dos principais centros mundiais de estudos sobre os conceitos transdisciplinares, é o Centre International de Recherches et d`Études transdisciplinaires (CIRET). Esse é um conceito muito completo e por isso é um dos mais estudados, pois ao mesmo tempo que procura uma interação máxima entre as disciplinas, eles também respeitam suas individualidades.
No primeiro Congresso Mundial de Transdisciplinaridade 1994, foi criado uma Carta da transdisciplinaridade para definir o conceito transdisciplinar:
Artigo 3: “(…) A Transdisciplinaridade não procura a dominação de várias disciplinas, mas a abertura de todas as disciplinas ao que as atravessa e as ultrapassa.”
Artigo 7: A transdisciplinaridade não constitui nem uma nova religião, nem uma nova filosofia, nem uma nova metafísica, nem uma ciência das ciências.”
É um assunto complexo, assim como os problemas que tenta solucionar. Mas também é bem sutil e serve de limite entre o comprometimento e o individualismo de cada disciplina. Ela não possui uma definição exata, e ao mesmo tempo é um dos mais necessários conceitos quando tratamos de formação e educação.
Entenda melhor a transdisciplinaridade
Até o momento você viu termos técnicos sobre o assunto, que muitas vezes podem confundir mais do que ajudar a entender. Mas a verdade é que a transdisciplinaridade é mais simples do que imagina. Vamos mostrar isso com um exemplo bem simples, se você pedir para um programador te explicar como ele criou um aplicativo, você vai ter dificuldade de entender, pois não é da área.
O profissional de programação vai se sentir confortável em sua área, pois domina esse conhecimento. Mas ele pode demonstrar incapacidade de interagir de forma esclarecedora com profissionais de outro ramo, por exemplo. O que acontece quando existe a transdisciplinaridade é que, mesmo você se aprofundando em sua área, deve possuir conhecimento sobre as áreas adjacentes com as quais ele irá trabalhar.
O objetivo da transdisciplinaridade na escola é proporcionar um ensino mais lógico e racional, oferecendo um aprendizado mais eficiente aos alunos. Eles terão então, uma maior chance de entendimento de todas as matérias em conjunto, e podem até ter experiências com trabalhos que unem todas as matérias estudadas.
Mas o que seria melhor, saber tudo sobre um pouco, ou um pouco sobre tudo? Na transdisciplinaridade você precisa entender outras áreas, como falamos acima, por mais que não seja seu trabalho. Mas o maior questionamento nesse caso é saber se é melhor especializar-se ou entender diversas áreas de forma menos aprofundada. Vamos mostrar aqui os benefícios de cada um dos dois pontos.
Entender várias áreas de forma menos aprofundada
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Terá mais alternativas a desenvolver, o que traz maior estabilidade financeira;
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Terá uma maior gama de clientes potenciais;
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Seus projetos serão sempre diferenciados;
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Evita rotina;
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Quanto mais você se diversifica, maior é a chance de conseguir emprego
Quem se especializa
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Trabalhar naquilo que realmente gosta de fazer;
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Estará altamente motivado e terá um único foco de atenção e energia;
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Pode se tornar um expert em sua área e poderá aumentar seus honorários;
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Como os projetos serão sempre semelhantes, você acumulará vasta experiência em uma área específica;
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A aprendizagem que obter em um projeto, pode ser capitalizada e aplicada em outro;
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Quanto mais você se especializa, maiores as chances de crescer na mesma carreira.
Quem vai escolher a melhor opção será você, não existe ainda um consenso sobre o melhor caminho. Talvez esse consenso nunca exista, pois essa decisão está relacionada a diversos fatores.
A transdisciplinaridade na escola
Para conseguir trabalhar de forma transdisciplinar, é importante envolver conteúdos que não se adequam plenamente a nenhuma disciplina. Isso quer dizer que os professores devem encontrar o corpo, um tema que está presente em várias disciplinas mas não pertence a nenhuma ao mesmo tempo.
A diferença básica dessa forma de ensino, é como os professores trabalham, se eles fazem um mesmo planejamento, onde todos participam de todos os processos, indo além de suas disciplinas de formação, isso é transdisciplinaridade. Eles vão envolver toda a comunidade escolar e seu entorno.
Um trabalho transdisciplinar deve conter elementos que vão além das disciplinas, e do espaço disciplinar das classes de aula. Ela deve ser entendida como a coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do sistema de ensino inovado sobre a base de um sistema, ético, político e antropológico.
O interessante é que a transdisciplinaridade possui uma atitude mais aberta, de respeito mútuo e mesmo de humildade em relação ao conhecimento. Quando se constrói uma educação que pensa a amplitude dos temas que são apresentados, evitamos a aprendizagem mecânica dos alunos e isso é muito importante.
O professor pode propiciar com a transdisciplinaridade uma aprendizagem significativa decorrente da interação, entre o novo conhecimento e o conhecimento prévio. Na escola é que o aluno pode experimentar a diversidade, e aprender a contextualizar o conhecimento. Assim ele vai conseguir desenvolver competências que irão fazê-lo capaz de intervir na realidade para transformá-la.
Em uma educação transdisciplinar é visado à plenitude do ser humano, é possível ampliar o ato cognitivo e promover uma sabedoria que esclarece o indivíduo. Dessa forma os estudantes vão se tornar adultos com mais autonomia e sensibilidade pela autoconsciência.
Instituições que estudam a transdisciplinaridade
Quer se aprofundar mais sobre o tema? Não deixe de conferir as escolas que estudam sobre o assunto, leia e pesquise mais. Você pode incluir a transdisciplinaridade na instituição de ensino que trabalha.
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CETRANS – Centro de Educação Transdisciplinar;
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UNIPAZ-RJ – Universidade Internacional da Paz | Universidade Holística Internacional;
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AMMOM – Associação Ambiental Transdisciplinar Movimento 3º Mundo – Fortaleza Ceará Brasil;
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IEAT – Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares – UFMG – Belo Horizonte, Minas Gerais – Brasil;
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URCI – Universidade Rose-Croix Internacional.
A transdisciplinaridade pode não ser complexa, quando bem trabalhada em sala de aula. Mas é importante contar com o apoio de todos os professores. Assim que todos compreendem, como ela pode ajudar no aprendizado dos alunos.