
Complexidade
Complexidade é utilizada em filosofia, epistemologia (por autores como Anthony Wilden e Edgar Morin), linguística, pedagogia, matemática, química, física, meteorologia, estatística, biologia (por Henri Atlan), sociologia, ocupação, economia, arquitetura, medicina, psicologia, informática ou em ciências da computação ou da informação. A definição varia significativamente segundo a área de conhecimento. Frequentemente é também chamada teoria da complexidade, desafio da complexidade[1], pensamento da complexidade[2] ou pensamento complexo.
Trata-se de uma visão interdisciplinar acerca dos sistemas complexos adaptativos, do comportamento emergente de muitos sistemas, da complexidade das redes, da teoria do caos, do comportamento dos sistemas distanciados do equilíbrio termodinâmico e das suas faculdades de auto-organização.
Esse movimento científico tem tido uma série de consequências não só tecnológicas mas também filosóficas. O uso do termo complexidade é portanto ainda instável e na literatura de divulgação frequentemente ocorrem usos espúrios, muito distantes do contexto científico, particularmente em abstrações ao conceito (crucial) de não linearidade.
O termo é também usado por alguns como sinônimo de epistemologia da complexidade, um ramo da filosofia da ciência inaugurado no início dos anos 1970 por Edgar Morin, Isabelle Stengers e Ilya Prigogine.[3]
Existe também uma teoria de complexidade computacional, que é um filão científico mais estável e melhor definido e que evoluiu separadamente daquele referente ao conceito de sistema não linear, mas afinal está sutilmente ligado a este.
Epistemologia da complexidade
A epistemologia da complexidade é um ramo da epistemologia que estuda os sistemas complexos e fenômenos emergentes associados. Trata-se pois de um termo rico de significados e portanto ambíguo, que vem se afirmando nas últimas décadas sobretudo no que diz respeito à transformação em curso no mundo da pesquisa científica, em razão da crescente tendência a negar os pressupostos de linearidade nos sistemas dinâmicos e a indagar mais profundamente o seu comportamento.[4][5]
Pedro Demo, um dos pensadores brasileiros contemporâneos de maior destaque nessa temática, afirma que Edgar Morin é considerado o "fundador da ciência da complexidade" na Europa. De fato, a obra de Morin é a mais extensa e a mais profunda no que se refere à temática da epistemologia da complexidade, especialmente depois de ter concluído a série de seis livros sobre "O Método" (ver bibliografia).
Para Morin, a ciência moderna ou clássica, na busca de sua autonomia em relação ao pensamento religioso da escolástica medieval, acabou por separar-se em vez de apenas distinguir-se da filosofia, do senso comum, das artes e da política. A ciência de base quantitativa se sobrepôs então às diversas formas de conhecimento, inclusive porque favorecia interesses das classes emergentes com as revoluções burguesas. Os Estados nacionais só puderam ser organizados a partir do conhecimento estatístico, do controle quantitativo da economia, dos territórios e das populações. Toda a industrialização serviu-se fortemente dos aspectos quantificáveis das ciências naturais na geração de tecnologias, a ponto de ter contribuído decisivamente para o surgimento da tecnociência, uma forma de conhecimento científico dirigido por critérios tecnológicos.
A extensão dos critérios metodológicos das ciências naturais às ciências sociais levou à formação de um grande paradigma ocidental, que se caracteriza por ser disjuntor-e-redutor, ou seja, por separar (disjuntar) ciência e filosofia (incluindo aqui humanidades, artes e todo o conhecimento não quantificável), e por reduzir (reducionismo) o que é complexo ao que é simples (por exemplo, por meio da busca da menor parte da realidade física, os átomos, e depois as partículas dentro dos átomos). O pensamento disjuntor-redutor simplifica a realidade e com isso ganha espaço que historicamente pertenceu ao pensamento religioso, dogmático.
O pensamento disjuntor-redutor estabelece-se como um grande paradigma, aparentemente confiável. Na realidade, a física subatômica já introduziu incertezas quanto aos limites do reducionismo. A fenomenologia já mostrou as insuficiências e ingenuidades do positivismo, da pretensão de captar-se uma realidade "objetiva" independente do olhar e dos pressupostos do pesquisador.
Em meados do século XX as ciências da terra, a ecologia, a cosmologia e outras formas de conhecimento começam a buscar o diálogo pluridisciplinar. A partir de então, aquela crise que o paradigma disjuntor-redutor havia sofrido com a emergência da física subatômica (teoria da relatividade, princípio de incerteza, etc) e com a emergência da fenomenologia nas primeiras décadas do século XX é reforçada pelos diálogos multi, inter e transdisicplinares. É nesse contexto da história da ciência que emerge o pensamento complexo ou paradigma da complexidade, que visa associar sem fundir, distinguindo sem separar as diversas disciplinas e formas de ciência, assim como as diversas formas de conhecimento e inclusive outras instâncias da realidade, como Estado, Mercado e Sociedade Civil.
O pensamento complexo não se limita ao âmbito acadêmico: transborda para os diversos setores das sociedades. E com isso questiona todas as formas de pensamento unilateral, dogmático, unilateralmente quantitativo ou instrumental. A incerteza faz parte do paradigma da complexidade, como uma abertura de horizontes, e não como um princípio que imobiliza o pensamento. Pensar de forma aberta, incerta, criativa, prudente e responsável é um desafio à própria democracia. Daí a noção de democracia cognitiva, que visa estabelecer o diálogo entre as diversas formas de conhecimento. Este é o caminho do pensamento complexo, um caminho que, embora tenha diversos princípios, oriundos da antiguidade, da modernidade e da pós-modernidade, é um caminho que se faz no seu próprio transcurso, no seu próprio fazer e repensar-se continuamente.
O pensamento complexo
A complexidade e suas implicações são as bases do denominado pensamento complexo de Edgar Morin, que vê o mundo como um todo indissociável e propõe uma abordagem multidisciplinar e multirreferenciada para a construção do conhecimento. Contrapõe-se à causalidade linear por abordar os fenômenos como totalidade orgânica.
Segundo Edgar Morin (Introdução ao Pensamento Complexo, 1991:17/19): "À primeira vista, a complexidade (complexus: o que é tecido em conjunto) é um tecido de constituintes heterogêneos inseparavelmente associados: coloca o paradoxo do uno e do múltiplo. Na segunda abordagem, a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem o nosso mundo fenomenal.
Mas então a complexidade apresenta-se com os traços inquietantes da confusão, do inextricável, da desordem no caos,da ambigüidade, da incerteza... Daí a necessidade, para o conhecimento, de pôr ordem nos fenômenos ao rejeitar a desordem, de afastar o incerto, isto é, de selecionar os elementos de ordem e de certeza, de retirar a ambigüidade, de clarificar, de distinguir, de hierarquizar... Mas tais operações, necessárias à inteligibilidade, correm o risco de a tornar cega se eliminarem os outros caracteres do complexus; e efetivamente, como o indiquei, elas tornam-nos cegos."
Proposta
A proposta da complexidade é a abordagem transdisciplinar dos fenômenos, e a mudança de paradigma, abandonando o reducionismo que tem pautado a investigação científica em todos os campos, e dando lugar à criatividade e ao caos.
A Wikipédia tem o portal:
Princípios
Sendo transdisciplinar, não é possível uma definição sucinta do termo e suas aplicações. Alguns dos conceitos que compõem o tecido da complexidade:
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auto-organização
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amplificação por flutuações
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artificialeza
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autoconsistência
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autopoiese: capacidade de um sistema de organizar de tal forma que o único produto seja ele mesmo.
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auto-semelhança
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imprecisão
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conectividade
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correlação
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criticabilidade
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dialógica
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emergência
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fluxo
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imprevisibilidade
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inclusão
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metadimensionalidade
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onijetividade
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paradoxo
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aderência
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potencialidade
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retorno
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rizomas
Temas da complexidade
Auto-organização, fractalidade e emergência
A noção de emergência está ligada à teoria dos sistemas. Um sistema constitui-se de partes interdependentes entre si, que interagem e tranformam-se mutuamente, desse modo o sistema não será definível pela soma de suas partes, mas por uma propriedade que emerge deste seu funcionamento. O estudo em separado de cada parte do sistema não levará ao entendimento do todo, esta lógica se contrapõe ao método cartesiano analítico que postulava justamente ao contrário.
Nesta perspectiva o todo é mais do que a soma das partes. Da organização de um sistema nascem padrões emergentes que podem retroagir sobre as partes. Por outro lado o todo é também menos que a soma das partes uma vez que tais propriedades emergentes possam também inibir determinadas qualidades das partes.
Mudança, evolução e realimentação
Um sistema realimentado é necessariamente um sistema dinâmico, já que deve haver uma causalidade implícita. Em um ciclo de retroação uma saída é capaz de alterar a entrada que a gerou, e, consequentemente, a si própria. Se o sistema fosse instantâneo, essa alteração implicaria uma desigualdade. Portanto em uma malha de realimentação deve haver um certo retardo na resposta dinâmica. Esse retardo ocorre devido a uma tendência do sistema de manter o estado atual mesmo com variações bruscas na entrada. Isto é, ele deve possuir uma tendência de resistência a mudanças. O que, por sua vez, significa que deve haver uma memória intrínseca a um sistema que pode sofrer realimentação
Campo, cultura, ecologia e ambiente
Caos, desordem e incerteza
Os trabalhos de divulgação de Ilya Prigogine talvez sejam as melhores fontes para entender rigorosamente o papel do caos e sua relação com a incerteza. As teorias do caos, popularizadas pelo "efeito borboleta", (a qual a alusão em que o bater de asas de uma borboleta no pacífico poderia causar um tufão em outro lugar distante do planeta é apenas uma alegoria estilística para a interpretação real do fenômeno), estão relacionadas à não-lineariedade e à sensibilidade às condições iniciais.
Assim, relações deterministas, às vezes muito simples, podem gerar, após muitas interações, divergências de trajetórias significativas partindo de condições iniciais muito próximas. Daí se afirmar que há um comportamento caótico, já que não há padrão para determinar no longo prazo (ou após muitas interações) qual o comportamento da trajetória a partir de condições iniciais aproximadas, ainda que para, por exemplo, 40 casas decimais! Porém, surpreendentemente, se do ponto de vista individual há o caos, muitas vezes há um padrão estatístico com relação à distribuição de probabilidade das trajetórias, o que permite alguma inteligibilidade e tratamento científico do caos.
Complexidade e Criticalidade
Complexidade é altamente ligada a fenômenos criticos.
TEORIA DA COMPLEXIDADE
A Teoria da Complexidade, hoje chamada de Nova Ciência, engloba várias teorias recentes – Teoria dos Fractais, Teoria do Caos, Teoria das Catástrofes, Lógica Fuzzy, entre outras – procedentes das ciências exatas que se dirigem para uma visão cada vez mais aproximada da realidade, sem simplificação, sem reducionismo. Paradoxalmente, estas teorias aproximam-se das ciências naturais e das ciências humanas. Estão sendo usadas para entender as estruturas e os processos organizacionais complexos que transcendem as teorias clássicas sobre organização. Os processos organizacionais são mais bem explicados e entendidos à luz dessas teorias. Tratas-e de um novo modo de investigação das mudanças.
A visão de complexidade nos remete à idéia de sustentabilidade para reverter o quadro de vulnerabilidade a que todos estamos submetidos, inclusive o Planeta, na sua totalidade complexa. Sustentabilidade, não no sentido pequeno de adaptação, sobrevivência e de lucro, como às vezes é utilizado no âmbito organizacional, mas no sentido de preocupação com as perspectivas para as gerações futuras. Preocupações estas, tanto em termos de qualidade de vida para todos os seres vivos como em termos ambientais para todo o Planeta e também com relação ao processo sucessório nas organizações.
Ressalte-se que o Paradigma da Complexidade constitui um meio útil para entender os processos de inovação e auto-renovação em qualquer tipo de organização. É um novo modo de investigação das mudanças e para a pesquisa do gerenciamento estratégico e do desenvolvimento organizacional. É também um instrumento útil para entender as mudanças sociais no mundo, pois desafia as suposições convencionais de estabilidade natural, equilíbrio, processos lineares e preditibilidade determinística. Permite-nos trabalhar a pessoa em seus aspectos subjetivos, complexos, numa perspectiva do seu relacionamento nas organizações, nas relações de trabalho, de família, de sociedade ou de qualquer outra manifestação de organização que a cultura propicie.
Este paradigma já vem se instalando desde os anos 70 do século XX, embora muitas pessoas ainda não tenham consciência da existência das teorias que convergem para a mudança de época e de paradigma que estamos presenciando.
A Teoria da Complexidade, por nos propiciar uma visão mais próxima da realidade, pode nos ajudar muito a melhor entender e implementar os processos de Estratégia e de Gestão, proporcionando maior efetividade nas ações da organização e, como conseqüência, proporcionar um melhor relacionamento e atendimento das necessidades tanto dos atores internos como dos atores externos envolvidos com uma organização.
TEORIA DA COMPLEXIDADE – UMA NOVA VISÃO DE MUNDO PARA A ESTRATÉGIA
Neste Artigo, Júlio Torres apresenta as Visões de Mundo – Mecanicista, Econômica e Complexa – que estão competindo no contexto da atual Mudança de Época, mostrando quais as implicações de cada uma destas Visões de Mundo e dando ênfase para a necessidade, cada vez mais premente, da Visão Complexa de Mundo para a Estratégia das organizações, a partir das lições da Teoria do Caos e das características dos Fractais.
COMPLEXIDADE DA VIDA HUMANA
A partir da experiência, todos sabem que as dinâmicas da vida são complexas. Fenômenos da vida, eventos e processos emergem de interações de muitos fatores interrelacionados.
Complexa é a organização física do corpo humano, extremamente complexa é a vida emocional das pessoas, seus pensamentos, idéias e buscas. Bem complexa é a organização da sociedade humana – entrecruzados e interdependentes são processos dinâmicos manifestados no nosso planeta, no nosso sistema solar e no Universo. Tão complexa que a ciência contemporânea pode ver apenas uma pequena fração dessa abundante COMPLEXIDADE. Especialistas de diferentes ramos da ciência apressam-se em dividir essa pequenina fração em menores partículas ainda, para analisar algumas delas e tirar conclusões, para então repetir e estender a análise e re-escrever essas conclusões, então novamente olhar para as partículas e vir com conclusões possivelmente inteiramente diferentes, e assim por diante.
Dividir, separar e analisar – isso é o que a ciência faz muito bem. Unificar, unir e sintetizar em um todo orgânico indivisível não é fácil para abordagens fragmentadas usadas pelas disciplinas científicas. Isso é fácil para a natureza e ela faz isso perfeitamente!
A teoria do Caos e a ciência da complexidade tentam não dividir. Sua missão não é dividir, pois no foco da sua pesquisa está a INTEGRIDADE – interconectividade, relacionamento e interação das miríades de dinâmicas complexas, quaisquer que sejam suas manifestações específicas. O Caos e a Complexidade tentam entender características e leis de comportamento que são comuns a todos os processos dinâmicos. E como simplesmente não existem processos não-dinâmicos no universo, o caos e a complexidade estudam algo muito elementar, essencial e vital para o entendimento da unidade de todas as formas de existência.
O que a Teoria do Caos ensina é que as dinâmicas dos processos complexos são não-lineares e caóticos – pequenas mudanças nas condições iniciais de tais processos podem dar surgimento a transformações impredizíveis no futuro. Dinâmicas caóticas são ubíquas – do comportamento de moléculas até a interação de planetas e galáxias, do comportamento de células até a interação de pessoas e de civilizações.
Não é um problema, de forma nenhuma, aceitar que as dinâmicas da vida humana sejam complexas e caóticas. O que é problemático é entender que essas dinâmicas são extremamente suscetíveis às nossas ações, aos nossos pensamentos, histórias, sentimentos, crenças e atitudes. De uma forma quase misteriosa, pequenas mudanças no fluxo dos nossos processos de pensamento podem trazer à tona transformações radicais em toda a dinâmica da nossa vida.
TEORIA DOS FRACTAIS
A Teoria dos Fractais é uma Geometria. A Geometria Fractal é considerada a geometria da Teoria do Caos. Benoit Mandelbrot (Mandelbrot, 1983), o criador da Teoria dos Fractais, insiste e mostra que é a geometria fractal, e não a geometria clássica euclidiana, a que realmente reflete a geometria dos objetos e dos processos do mundo real.
Podemos ver a ideia de Fractal no nosso corpo. Se tomarmos uma célula da nossa pele e a levarmos para um microscópio, veremos nessa célula todas as características da nossa pele. Examinando com mais cuidado, veremos lá a cor dos olhos; veremos se o cabelo é louro, se é preto, se é enrolado ou estirado. Veremos lá uma característica que o nosso avô teve, que não se manifestou em nós, mas vai se manifestar no nosso neto. Uma célula tem a nossa história, a história dos nossos ascendentes e dos nossos descendentes.
As principais características dos Fractais são: Extensão infinita dos limites; Permeabilidade dos limites e Autossimilaridade das formas e características.
Com a ideia de Fractal, deixamos de ver as coisas somente quantitativamente e passamos a vê-las também com um olhar qualitativo.
A palavra fractal vem do latim fractus, que significa fragmentado, fracionado, rugoso, irregular. Mais ainda, “frac” dá a ideia de fração (parte) e “tal” lembra total. Os objetos fractais denotam formas geométricas elementares que, ao se replicarem indefinidamente, ensejam figuras com padrões de grande beleza, preservando, em cada uma de suas partes, as características do todo, ressaltando-se a rugosidade e a não linearidade.
Mandelbrot, matemático que, em 1975, criou a teoria dos fractais, mostrou ser a Geometria fractal, por conta de suas características – extensão infinita dos limites, permeabilidade dos limites, autossimilaridade das formas e das características – que reflete a Geometria dos objetos e da configuração dos processos do mundo real.
Assim é que, pela característica da extensão infinita dos limites, o que predomina nos limites dos objetos e dos processos é a rugosidade, embora existindo um padrão regular (semelhança) nessa forma de ser rugoso. Os limites fractais são enrugados e complexos, e mantêm esse padrão em muitas escalas, desde o âmbito do todo até as mínimas partes em que se particione esse todo. Munné interpretou esse fato como uma borrosidade fractal: “A dimensão geométrica de carácter fracionado ou intermediário dos fractais parece ser indicadora de borrosidade”. Como as coisas têm os seus limites enrugados e são medidas linearmente, com retas, a extensão de seus limites depende do tamanho da unidade-padrão de medida, tendendo essa extensão ao infinito quando a unidade-padrão de medida tende a zero; ou seja, quanto mais se reduz o tamanho da unidade-padrão de medida, maior a extensão do que se está medindo.
A ideia de extensão infinita de um limite fractal pode ser demonstrada considerando-se uma fronteira ou um litoral geográfico, naturalmente irregular (Figura 1). Dependendo do comprimento da unidade-padrão de medida (regular) utilizada pela pessoa que mede, pode-se demonstrar que, ao se reduzir a unidade de medição, o comprimento da fronteira ou do litoral aumentará sem limite.
Extensão Infinita dos Limites numa Fronteira Irregular
Imagine-se a fronteira da Figura 1. Se essa fronteira for medida com uma régua de tamanho igual a 2x, sua extensão será igual a 10x. Se a mesma fronteira for medida com régua de tamanho igual a x (metade do tamanho da primeira régua), sua extensão será igual a 12,3x. Como a régua é reta e a fronteira é enrugada, quanto menor for o tamanho da régua, mais as reentrâncias rugosas poderão ser medidas.
Essa característica da extensão infinita dos limites fractais não se manifesta somente nos objetos e nos processos físicos e da natureza, mas também naqueles que envolvem o comportamento humano. Zimmerman e Hurst acreditam que a noção fractal de limites pode ser aplicada aos limites cognitivos. Portanto, seria possível aumentar os limites cognitivos reduzindo-se o tamanho da unidade-padrão de medida de conhecimento, isto é, gerando um conhecimento que alcance os detalhes. Em outras palavras, a unidade-padrão de medida de conhecimento de cada sujeito depende do seu grau de conhecimento sobre aquilo que ele conhece. Logo, a compreensão sobre algo tem seus limites ampliados dentro de algumas possibilidades, por exemplo: a) dando-se maior atenção aos detalhes e desenvolvendo-se dados mais específicos de seus padrões; b) reformulando-se um padrão em curso, mediante o desenvolvimento de novas interpretações de eventos passados, do conhecimento do presente e de possibilidades de desenvolvimento de cenários para o futuro.
No que se refere à segunda característica fractal, a permeabilidade dos limites, existe uma borrosidade nos limites dos objetos e dos processos fractais que os torna inexatos, indefinidos e permeáveis. Na realidade, o limite é um intervalo com um grau de borrosidade variando de 0% a 100%. Essa permeabilidade dos limites se manifesta nos processos físicos e da natureza para intercâmbio de energia e de matéria no meio ambiente, bem como nos processos humanos, permitindo o intercâmbio de dados para geração de informação e de conhecimento e o aumento e melhoria dos relacionamentos, desde a menor escala até as escalas mais amplas, envolvendo o contexto, com todos os atores, fatores, ecofatores, e a aplicação e as implicações da aplicação desse conhecimento, dessa matéria, dessa energia e dessas transformações nos relacionamentos. A permeabilidade dos limites proporciona a mudança de estado, consequentemente, alterações de um padrão fractal para outro.
Veja-se, agora, um caso em que se manifesta a permeabilidade dos limites, na Figura 2 a seguir.
Permeabilidade dos Limites na Cinta de Moebius.
Observe-se que a foto da Figura 2 representa uma cinta cuja elaboração requereu uma torção de 180º na tira de papel antes de serem coladas as extremidades. Esse objeto é percebido como não dual, não dicotômico, em certos aspectos. E tem unicidade em termos de lado e de borda. Por exemplo, a cinta tem somente um lado: o lado de fora é o mesmo lado de dentro. O lado de fora passa gradualmente a ser lado de dentro, e o lado de dentro passa gradualmente a ser lado de fora. Existe permeabilidade entre os limites fora e dentro. Ou seja, existem lugares na cinta em que o lado é, ao mesmo tempo, dentro e fora, num certo grau.
Poder-se-ia dizer que ora o lado se caracteriza mais como lado de fora e ora esse mesmo lado se caracteriza mais como lado de dentro da cinta. Essa cinta possui, também, somente uma borda: a borda superior passa gradualmente a ser borda inferior, e a borda inferior passa gradualmente a ser borda superior. Existe permeabilidade entre os limites superior e inferior. Ou seja, existem lugares na cinta em que a borda é, ao mesmo tempo, superior e inferior, num certo grau. Poder-se-ia dizer que ora a borda se caracteriza mais como borda superior e ora essa mesma borda se caracteriza mais como borda inferior da cinta.
A terceira característica dos fractais é a autossimilaridade, expressa pelo fato de existir uma semelhança nas formas e nas características dos objetos e da configuração dos processos em relação às dos seus componentes. Ao se observar iterativamente o todo em relação às suas partes componentes, estas, por menores que sejam, denotam formas e características semelhantes às do todo que compõem, em todas as escalas. Significa dizer que a estrutura fractal exprime invariância de escala, razão pela qual é a estrutura mais otimizada para permitir maior contato com o exterior. Por conta da sua estrutura fractal, por exemplo, é que as árvores, hortaliças e frutos absorvem mais luz solar e as raízes absorvem mais nutrientes.
Autossimilaridade num Brócolis Romanesco.
Na verdade, cada parte reflete a estrutura do todo. Diz-se, então, que as características da parte estão no todo e que as características do todo estão na parte, como acontece no Brócolis Romanesco, mostrado na Figura 3.
Segundo Zimmerman e Hurst, “a autossemelhança proporciona um sentido de ordem a estruturas rugosas aparentemente irregulares. Isto permite manter a sua essência – os relacionamentos que constituem sua identidade – em uma ampla gama de escalas”. Pode-se dizer que a visão fractal de um objeto e da configuração de um processo é a iterativa reflexão de todo o objeto ou da configuração do processo em cada um de seus componentes. Não é uma visão hierárquica, de cima para baixo, e sim uma visão em zoom.
A extensão infinita dos limites fractais, a permeabilidade dos limites fractais e a autossimilaridade correspondem, no paradigma da complexidade, às ideias da lógica fuzzy, uma lógica não dicotômica, com um espectro infinito de opções.



TEORIA DO CAOS
A Teoria do Caos, assim denominada pelo físico norte-americano James Yorke, teve seu início nos estudos do meteorólogo, também norte-americano, Edward Lorenz, do Massachussets Institute of Technology (M.I.T.), sobre previsões climáticas. Ele conseguiu mostrar que com equações envolvendo apenas três variáveis – temperatura, pressão atmosférica e velocidade dos ventos – era possível fazer previsões do tempo, e comprovou que pequenas causas podem provocar grandes efeitos, independentes do espaço e do tempo.
O clima é um fenômeno reconhecidamente caótico. Os estudos de Lorenz vieram mostrar cientificamente o determinismo do caos. Um sistema caótico não é aleatório e nem desordenado, pois existe uma ordem, e um padrão no sistema como um todo. É o chamado caos determinístico, pois existe uma equação que define o seu comportamento. Esta equação pode ser representada graficamente, formando uma bela figura chamada atrator. A Teoria do Caos permite que as pessoas passem a ver ordem e padrão onde antes, por conta de uma visão reducionista de mundo, só se observava a aleatoriedade, a irregularidade e a imprevisibilidade. Podemos dizer que com a visão complexa de mundo a realidade tem uma irregularidade regular, uma imprevisibilidade previsível, uma desordem ordenada.
A Teoria do Caos é uma parte importante dos sistemas dinâmicos não-lineares (complexos). O caos pode ser definido como um processo complexo (no qual tudo está tecido junto) – qualitativo e não-linear – caracterizado pela (aparente) imprevisibilidade de comportamento e pela grande sensibilidade a pequenas variações nas condições iniciais de um sistema dinâmico. Os estados deste processo podem ser perfeitamente quantificáveis e previsíveis pela utilização de modelos matemáticos, analíticos ou numéricos que descrevem o sistema utilizando equações não lineares, além de equações lineares que se utilizavam até bem pouco tempo.
Sistemas simples podem apresentar comportamento complexo. Sistemas complexos podem dar origem a comportamentos simples. As relações de causa e efeito não são proporcionais e nem imediatas. A saída gerada por um ciclo do sistema pode ser iterativa, pode alimentar o ciclo seguinte.
Os estudos da termodinâmica deram um grande impulso à Teoria do Caos. Ilya Prigogine (1917-2003) (Prigogine, 1997), um cientista estudioso da termodinâmica, laureado com o Prêmio Nobel de Química, diz que “ordem e organização podem surgir de modo ‘espontâneo’ da desordem e do caos, produzindo novas estruturas, por meio de um processo de auto-organização”.
TEORIA DO CAOS E COMPLEXIDADE
Da previsão do tempo ao mercado de ações, das colônias de cupins à Internet, a constatação de que mudanças diminutas podem acarretar desvios radicais no comportamento de um sistema veio reforçar a nova visão probabilística da física. O comportamento de sistemas físicos, mesmo os relativamente simples, é impreditível. A idéia de que a natureza seja fundamentalmente aleatória vai contra nossa intuição. Mas a segunda constatação é ainda mais estranha: há padrões, regularidades por trás do comportamento aleatório dos sistemas físicos mais complexos, como a atmosfera ou o mar. Na verdade, o estado final de um sistema não é um ponto qualquer; certos percursos parecem ter mais sentido que outros – ou, pelo menos, ocorrem com muito maior freqüência. Os estudiosos os chamam de atratores estranhos (strange attractors). Eles permitem que os cientistas prevejam o estado mais provável de um sistema, embora não quando precisamente ele vá ocorrer. É o que acontece com a previsão do tempo ou de um maremoto, por exemplo.
COMPLEXIDADE, CAOS E CRIATIVIDADE – UMA JORNADA PARA ALÉM DO PENSAMENTO SISTÊMICO
A descoberta inovadora da Teoria da Complexidade e da Teoria do Caos iluminou uma nova forma de pensamento – o pensamento complexo – que tem uma capacidade maior do que a do pensamento sistêmico para entender os fenômenos e processos complexos.
Com o pensamento complexo, o desdobramento aparentemente caótico da vida na natureza e na sociedade é visto como uma manifestação da criatividade inerente à completude que engloba tudo da existência. A forma como a criatividade ‘fala’ é através da espontaneidade da emergência, através do poder da auto-organização e da evolução. Cada embrião, e não apenas eles, mas cada semente emerge de interações dinâmicas complexas de substâncias, forças e energias de diferentes naturezas e com diferentes graus de interrelacionamentos e intensidade. Uma vez emergida, a semente evolui num ritmo único que reflete o ritmo de todo o universo.
Descobertas matemáticas da Complexidade e do Caos relacionam-se ao campo das dinâmicas não lineares, nas quais o estudo e a modelagem computacional de padrões dinâmicos emergentes, de auto-organização e de coevolução de estruturas coerentes têm um papel central. Os mesmos fenômenos são de vital importância quando tentamos entender os altos e baixos da vida humana e o ritmo das mudanças na natureza e sociedade.
Os conceitos matemáticos chave da Complexidade e do Caos, tais como: atratores caóticos, fractais, ambientes adaptativos, diagrama de bifurcação, criticidade de auto-organização, arrefecimento simuladoe limiar do caos, são holísticos; eles são usados para descrever e entender o comportamento não linear, isto é, um comportamento que faz sentido apenas quando estudado como um todo. Assim é o comportamento da natureza e dos seres humanos. Esse é o motivo pelo qual os matemáticos da Complexidade e do Caos evocam visões poderosas para o entendimento holístico da intrincada interação de fatores, quase infinitos em número, que, permanentemente, influenciam a coexistência das pessoas com a natureza e umas com as outras.
CAOS E COMPLEXIDADE NAS ORGANIZAÇÕES
O maior dos desafios para as empresas tem sido a tentativa (frequentemente malsucedida) de acompanhar a evolução de seus ambientes. Tamanha dificuldade se deve a dois fatores: primeiro, as empresas desejam sempre chegar a algum estado estável, acreditando ser isto possível pela adaptação às mudanças ocorridas no ambiente externo (princípio do retorno ao equilíbrio); segundo, acredita-se também que decisões e ações conduzam aos resultados previstos (princípio da linearidade causa-efeito).
O que a ciência contemporânea vem demonstrando, por meio das Teorias do Caos e da Complexidade, é que tanto o equilíbrio quanto as relações lineares de causa e efeito são antes exceção do que regra, meros casos-limite no mundo dos eventos naturais. Por que assim também não haveria de ser no mundo dos eventos sociais? Um tal entendimento vem nos permitir compreender melhor as dinâmicas organizacionais nestes contextos de forte turbulência, bem como divisar novas possibilidades para que as empresas tornem-se capazes não apenas de “dialogar” com esta turbulência, mas de tirar partido dela para poder evoluir.
TEORIA DAS CATÁSTROFES
A Teoria das Catástrofes é uma teoria da área da Topologia Matemática que trata das mudanças de estado. A Catástrofe é caracterizada pelo aparecimento súbito de uma solução qualitativamente diferente para um sistema quando um parâmetro é variado suavemente. O sistema consegue se manter graças a uma manobra de subsistência.
A Teoria das Catástrofes tem a ver com o seguinte:
… “e qualquer desatenção…/ Faça não!/ Pode ser a gota d’água…” (Chico Buarque). Teoria das Catástrofes é isso. É a gota d’água.
O interruptor de luz elétrica é um exemplo clássico de Catástrofe. Aceso, ou apagado. Você está no escuro total, acende a luz, é uma catástrofe. Você está no claro total, apaga a luz, é uma catástrofe. É uma mudança de estado que caracteriza a Catástrofe.
A chave da teoria está nos pontos de instabilidade interna ou estrutural (pontos de bifurcação). Na realidade é mais que bifurcação. Falar “BIfurcação” é uma miopia. Devemos falar em POLIfurcação.
LÓGICA FUZZY
A lógica aristotélica, conhecida como a lógica do terceiro excluído, informa que tudo ou é verdadeiro ou é falso, ou seja, uma proposição pode ser verdadeira ou falsa, porém, não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo. Essa lógica só suporta duas possibilidades, mutuamente exclusivas. Nessa visão dicotomizadora, muitas vezes, se passa a utilizar o ou para conceitos, coisas e fatos não contrários ou excludentes, a exemplo de ócio ou trabalho, professor oualuno, chefe ou subordinado etc.
Esse princípio dicotomizador, que governa o pensamento lógico desde Aristóteles até os dias atuais, muitas vezes, não pode ser aplicado na prática. Em certas ocasiões, encontram-se “meias-verdades”, tornando impossível que algo seja totalmente verdadeiro ou totalmente falso. Existem valores que contêm algo de verdadeiro e algo de falso ao mesmo tempo, principalmente nos processos sociais, envolvendo qualquer tipo de relacionamento. Existem flexibilidade, maleabilidade e plasticidade nesses relacionamentos, sejam eles interpessoais ou interorganizacionais.
O esforço de levar essa flexibilidade ao campo do formal fez nascer a Lógica Fuzzy, que representa a lógica da incerteza, da ambiguidade, da imprecisão e que está embutida no entendimento e no conhecimento humanos. Segundo a Lógica Fuzzy, tanto a pertinência como a não pertinência de um elemento a um conjunto se dão de forma gradual e contínua, não abrupta, o que se traduz na seguinte afirmação anônima: “Tudo é uma questão de grau”. Em resumo, essa lógica é inerente à própria vida, e a complexidade da vida humana pode ir muito além desse limiar fuzzy, porquanto a Lógica Fuzzy suporta infinitas possibilidades de opções, sem que tenham de ser excludentes: a possibilidade de falso, a possibilidade de verdadeiro e infinitas possibilidades de mistura entre falso e verdadeiro.
A Lógica Fuzzy, lógica do “e” (includente, não dicotômica), permite sair do dilema da lógica aristotélica, lógica do “ou” (excludente, dicotômica).
Epistemologicamente, a lógica borrosa afeta o modo de pensar e de fazer classificações, e já conta com muitas aplicações na área tecnológica e denota profundas implicações ideológicas para as Ciências Humanas.
LÓGICA FUZZY OU LÓGICA NEBULOSA
A Lógica Fuzzy (Lógica Nebulosa) viola estas suposições do pensamento ocidental. Um sim ou um não como resposta a estas questões é, na maioria das vezes, incompleta. Na verdade, entre a certeza de ser e a certeza de não ser, existem infinitos graus de incerteza. Esta imperfeição intrínseca à informação representada numa linguagem natural tem sido tratada matematicamente no passado com o uso da teoria das probabilidades.
Contudo, a Lógica Fuzzy (Nebulosa), com base na teoria dos Conjuntos Fuzzy (Nebulosos), tem se mostrado mais adequada para tratar imperfeições da informação do que a teoria das probabilidades.
AUTOPOIESE, CULTURA E SOCIEDADE
A noção de autopoiese já ultrapassou em muito o domínio da biologia. Hoje, ela é utilizada em campos tão diversos como a sociologia, a psicoterapia, a administração, a antropologia, a cultura organizacional e muitos outros. Essa circunstância transformou-a num importante instrumento de investigação da realidade. Há tempos, seus criadores, os cientistas chilenos Humberto Maturana e Francisco Varela, propuseram a seguinte questão: até que ponto a fenomenologia social pode ser considerada uma fenomenologia biológica? Este ensaio procura respondê-la, ou pelo menos encaminhá-la.
Convivencialidade, Autopoiese
e Aprendizagem Organizacional
Autopoiesis foi a palavra que os biólogos chilenos Humberto Maturana e Francisco Varela cunharam para explicar a vida. Poiesis é o ato criativo (mesma raiz de “poesia”); a vida é autopoiética, ela cria, ela inventa e reinventa a si própria – a partir de si própria. Para Maturana e Varela, qualquer conhecimento a respeito da realidade externa é uma criação interna. Ou seja, para o “conhecedor”, a realidade em si não existe, só existe a sua realidade, internamente criada. Isso renega a visão tradicional, pela qual os nossos cinco sentidos são canais que provêem acesso direto à realidade, e o “conhecimento” seria uma representação, uma imagem da realidade, a mais fiel possível.
AUTOPOIESE INTRAPESSOAL
Humberto Maturana e Francisco Varela introduziram a idéia de autopoiese como uma forma de organização sistêmica, na qual os sistemas produzem e substituem seus próprios componentes, numa contínua articulação com o meio. Os sistemas autopoiéticos são autocatalíticos, isto é, não apenas estabelecem, mas também mantêm uma fronteira peculiar com o mundo circundante – fronteira essa que simultaneamente os separa do meio ambiente e o conecta com ele.
Os seres humanos são exemplos de sistemas autopoiéticos – eles se reproduzem numa co-evolução incessante com o meio: as pessoas respondem, (ou seja, reagem, adaptam-se) às mudanças do ambiente e este responde (reage, “adapta-se”) à intervenção humana.
Cada indivíduo tem característica que refletem sua estrutura interna peculiar. Essa estrutura está aberta às mudanças: inevitavelmente evoluímos no curso de nossas vidas.
Como as pessoas dividem entre si o que experimentam e o que sabem (ou pensam que sabem) acerca de si mesmas e do mundo, muitas semelhanças se originam das maneiras pelas quais elas vêem, interpretam e entendem os fenômenos vitais. Mesmo assim, cada indivíduo expressa seu self como uma personalidade única, desde a infância até a velhice. Em todo ato físico, emocional, mental ou espiritual, o self de cada indivíduo reproduz a si próprio, mantendo uma fronteira peculiar com o mundo circundante e “evoluindo” em harmonia com ele.
A reprodução e evolução do self de cada indivíduo, em conexão vital com o seu meio ambiente, é o que chamamos de autopoiese intrapessoal.
Autopoiese Intrapessoal representa a aplicação do conceito original de autopoiese, introduzido por Maturana e Varela na Biologia e por Luhmannnos sistemas sociais, para o self individual, sua realização e evolução.
A ACELERAÇÃO DAS MUDANÇAS E COMO “ENFRENTÁ-LA”
Inevitável, nos dias de hoje, ao se falar sobre Educação, Empresas, Recursos Humanos, Desenvolvimento, Treinamento, como dos demais ramos do conhecimento, sem nos referirmos ao já desgastado assunto que dá título a esse artigo.
Entretanto, nas atuais circunstâncias, um enfoque mais abrangente torna-se necessário para o “enfrentamento” dessas mudanças. Algumas tentativas conhecidas têm sido nebulosas nesse campo, razão pela qual preferimos nos aprofundar nesse aspecto.
Nesses últimos anos, avanços substanciais têm sido notados em quase todos os campos do conhecimento: Física, Química, Biologia, Matemática e outros. Pessoas envolvidas nesses estudos nos têm proporcionado uma evolução em relação à longevidade e qualidade de vida, pessoal e profissional.
No entanto, ao falarmos sobre educação, recursos humanos e comportamentos em geral, será que podemos constatar uma evolução semelhante? Certamente não. É cada vez maior, nessa área (e em muitas outras), o abismo que separa o comportamento das pessoas do formidável avanço tecnológico em curso. Não seria então razoável inspirarmo-nos nessas novas conquistas da ciência e, a partir daí, tentarmos diminuir esse abismo na procura de um melhor desempenho? As Teorias do Caos, da Autopoiese, dos Fractais e das Estruturas Dissipativas são algumas dessas conquistas que devem merecer nossa atenção.
