top of page

Subcategorias

B

C

E

F

L

M

Q

T

Físico-Química 

A físico-química é a disciplina que estuda as propriedades físicas e químicas da matéria, através da combinação de duas ciências: a física (onde se destacam áreas como a termodinâmica e a mecânica quântica[1]) e a químicaSuas funções variam desde interpretações das escalas moleculares até observações de fenômenos macroscópicos

Normalmente mudanças de temperaturapressãovolumecalor, e trabalho de sistemas nos estados sólidoslíquidosgasosos e plasmáticos estão relacionados até com microscópicas interações moleculares e atômicas.

A físico-química moderna é firmemente relacionada com a física. Importantes áreas de estudo incluem termoquímicacinética químicaquímica quânticamecânica estatística e eletroquímica, que trata do estudo da eletrólise, de pilhas e baterias, e dos equilíbrios químicos que tratam dos reagentes que cooperam para se transformarem em produtos iônicos.

A físico-química também trata das soluções e para identificação de alanitos suas propriedades coligativas e fundamental para a ciência dos materiais. No fim do século XIX, o estudo dos coloides passou a constituir um novo e importante campo da físico-química.[2]

História

 

Ao químico russo Mikhail Lomonossov é creditado a utilização do termo "físico-química" pela primeira vez janeiro de 1752. O termo "físico-química" foi cunhado por Mikhail Lomonosov, em 1752, quando ele apresentou uma palestra intitulada "A Course in True Physical Chemistry" (em russo: «Курс истинной физической химии») diante dos estudantes da Universidade Estatal de São Petersburgo.[3]

A físico-química moderna originou-se entre as décadas de 1860 a 1880 com trabalhos sobre termodinâmica químicaeletrólitos em soluçõescinética química entre outros assuntos. O marco foi a publicação em 1876 por Josiah Willard Gibbs de seu artigo, sobre o equilíbrio de substâncias heterogêneas. Este artigo apresentou vários dos pilares da físico-química, como a energia livre de Gibbs, os potenciais químicos e a regra das fases de Gibbs.[4] Outros marcos incluem a introdução dos termos entalpiapor Heike Kamerlingh Onnes e processos macromoleculares.

A primeira revista científica especificamente no campo da físico-química foi o jornal alemão Zeitschrift für Physikalische Chemie, fundado em 1887 por Wilhelm Ostwald e Jacobus Henricus van 't Hoff. Juntamente com Svante August Arrhenius,[5] estas foram as principais figuras da área de físico-química no final do século XIX e início do século XX e todos os três foram agraciados com o Prêmio Nobel de Química entre 1901-1909.

Desenvolvimentos nas décadas seguintes incluem a aplicação da mecânica estatística para os sistemas químicos e trabalhos envolvendo colóides e química de superfície, onde Irving Langmuir teve muitas contribuições. Outro passo importante foi o desenvolvimento da mecânica quântica, originando a química quântica a partir de 1930, onde Linus Pauling foi um dos principais nomes. Desenvolvimentos teóricos andaram de mãos dadas com a evolução dos métodos experimentais, onde o uso de diferentes formas de espectroscopia, como espectroscopia de infravermelhoespectroscopia otacionalespectroscopia de ressonância paramagnética eletrônica e espectroscopia de ressonância magnética nuclear são considerados as principais ferramentas desenvolvidas no século XX.

 

Outros importantes aspectos da físico-química foram as descobertas em química nuclear, especialmente a separação de isótopos (antes e durante a Segunda Guerra Mundial), as descobertas mais recentes em astroquímica,[6] bem como o desenvolvimento de algoritmos para a previsão de parâmetros físico-químicos. Praticamente todas as propriedades físico-químicas tais como ponto de ebulição, o ponto crítico, a tensão superficial, a pressão do vapor, etc - mais de 20 propriedades ao todo - podem ser calculadas com precisão a partir de estrutura química, mesmo que a molécula química seja inexistente.

Físico-Química
Fis_Qui.Tecnicas

​​​Tópicos

De Físico-Química

A

B

C

D

E

F

G

H

I

K

L

M

N

O

P

Q

R

S

T

U

V

Z

Técnicas de análise físico-química​

Dentro das ciências naturais há um grande número de técnicas de análise fisico-químicas que permitem em conjunto a construção de bons modelos para a estrutura da matéria e do universo como um todo. Apresentando cada qual ênfase em determinada características da matéria ou da energia radiante, geralmente duas, três ou geralmente mais técnicas devem ser empregadas em conjunto para a construção de um modelo detalhado e coerente do sistema em investigação.

Praticamente todos os processos experimentais para obtenção de informações a respeito da estrutura físico-química da matéria, esteja ela em qualquer um dos três estados físicos, têm por fundamento a análise das características de um ou mais entes físicos provenientes da amostra em estudo graças a excitações provocadas pela incidência de um, ou eventualmente mais de um, ente físico excitante, de natureza não necessariamente igual à do primeiro, na referida amostra. Os entes físicos emitidos pela amostra e suas propriedades não dependem substancialmente não só da estrutura e propriedades internas da amostra em análise como também das natureza e propriedades do ente excitante em questão. Em geral as características da fonte excitadora em um processo experimental de análise são previamente bem conhecidas e informações muito seguras a respeito da estrutura da amostra podem, então, ser obtidas.

Diversos são os entes excitantes disponíveis, bem como diversos são os entes emitidos, simultaneamente, por uma amostra sob excitação de um único ente. Assim sendo, cada combinação diferente do ente excitante com o ente escolhido para análise produz uma técnica experimental diferente que pode mostrar-se mais sensível a determinadas propriedades da amostra e insensível a outras, e a escolha da técnica a se empregar depende muito da informação a se obter. A escolha da técnica a se empregar também deve levar em conta outros fatores como,por exemplo, a região física de interesse na amostra em análise, tendo em vista que algumas técnicas são sensíveis, no caso específico dos sólidos, apenas às propriedades superficiais, ao passo que outras são sensíveis apenas à propriedades internas à amostra. Também deve-se considerar o fato de algumas técnicas, em função da forma e do nível de excitação, serem destrutivas, e outras não. A escolha da técnica, ou mais provavelmente das técnicas, depende, portanto, do tipo de informação procurada, da região de interesse da amostra, e da viabilidade ou não de se destruir a amostra na análise.

Os entes mais comuns utilizados tanto no processo de excitação como no processo de análise são os fótons (ondas eletromagnéticas) e feixes de partículas - a citar como exemplo os elétrons - ionizadas ou não, proveniente de fontes excitantes com características conhecias previamente. Campos elétricos e magnéticos estáticos, fontes térmicas, e outros meios de excitação podem também tomar parte no processo como elemento excitante primário ou mesmo secundário.

Em resposta à excitação a amostra geralmente responde emitindo partículas ou radiação, e a análise destes entes físicos emitidos em resposta à excitação será geralmente a fonte de informação utilizada para a obtenção de informações a respeito da amostra uma vez que as propriedades características dos entes emitidos em resposta pela amostra vinculam-se diretamente à estrutura da amostra e ao processo que os originou no interior desta.

Vale ressaltar que, ao ser excitada, a amostra não responde emitindo apenas o ente físico que se encontra em análise uma vez considerada uma técnica específica: todos os processos de resposta possíveis à excitação ocorrem, em maior ou menor intensidade, dependendo das características do material e da excitação, simultaneamente. Um modelo teórico preciso deveria levar em conta todos estes eventuais processos de resposta e as interdependências entre eles. Uma vez que tais processos geralmente não são independentes entre si, não é difícil de se imaginar que um modelo como este seria complexo.

Soluciona-se o problema de análise considerando-se que bons e simples modelos para uma dada técnica podem em geral ser obtidos levando-se em conta apenas a forma da excitação e o ente considerado na análise, sendo suas previsões e aplicabilidade muito realistas ao se considerar dados experimentalmente obtidos. Ao aceitar-se o modelo mais simples, assume-se uma independência entre as diversas formas de resposta da amostra à excitação, ou quando facilmente implementável ou necessário, minimiza-se as conseqüências de se assumir esta eventual independência entre os processos através de “variável global” dentro do modelo.

Como exemplo tem-se o caso dos elétrons secundários detectados nos espectros XPS obtidos pela técnica de espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X (XPS). Nesta técnica o ente excitante são os fótons de raios X e os entes emitido pela amostra e tomados para a análise são os elétrons (ditos então fotoelétrons). O número de elétrons emitidos é resolvido como função das energias cinéticas(velocidades) com as quais são emitidos, e nos espectros assim obtidos (Contagem X Energia cinética) manifestam-se não só os elétrons de caroço emitidos por resposta imediata à excitação como também manifestam-se elétrons ditos secundários (de fundo ou de base). Apesar de terem sido inicialmente excitados pelos fótons, os elétrons secundários diferem dos elétrons de caroço por sofrerem as mais variadas formas de interação que possam levar um elétron, em seu movimento dentro do sólido, a perder parte de sua energia cinética de translação antes que o mesmo atinja o exterior do material considerado e seja, então, analisado. Isto inclui interação deste elétron com fônons, outros elétrons, imperfeições da rede cristalina do sólido, e outros. Os elétrons de fundo são portanto a variável global que retém em si todas as interações secundárias não diretamente sob interesse na análise, e são geralmente "removidos" antes da análise dos elétrons de caroço.

PropriedadesDaMatéria

Propriedades da Matéria
 

As propriedades da matéria podem ser classificadas em físicas (podem ser observadas e medidas sem alterar a composição) ou químicas (transformam-se em outro material). A Química estuda os materiais, as transformações que eles podem sofrer e a energia envolvida nesses processos. Isso é importante por diversos motivos, dentre eles está o fato de que estudando os materiais, podem-se conhecer as suas propriedades e assim estabelecer um uso apropriado para eles.

As propriedades das substâncias podem ser classificadas de acordo com vários critérios, mas conheça a seguir os principais:

Propriedades Químicas: Referem-se àquelas que, quando são coletadas e analisadas, alteram a composição química da matéria, ou seja, referem-se a uma capacidade que uma substância tem de transformar-se em outra por meio de reações químicas.
Por exemplo, a combustibilidade é uma propriedade química, pois a água não tem essa propriedade, enquanto o álcool (etanol) tem. Quando o álcool queima, ele converte-se em outras substâncias (gás carbônico e água), como mostra a reação abaixo:

1 C2H6­OH + 3 O2 →  2 CO2 + 3 H2O

Outro exemplo é o enferrujamento do prego, que, em termos simples, é uma reação de oxidação do ferro, quando exposto ao ar úmido (oxigênio (O2) e água (H2O)), formando o óxido de ferro (III) mono-hidratado (Fe2O3 . H2O), que é um composto que possui coloração castanho-avermelhada, isto é, a ferrugem que conhecemos.

A propriedade que o ferro tem de enferrujar é química

As reações envolvidas nesse processo são mostradas abaixo:

Fe(s) → Fe2+ + 2e-
2H2O + 2e– → H2 + 2OH–
Fe2+ + 2OH– → Fe(OH)2
2Fe(OH)2 + H2O + 1/2O2 → 2 Fe(OH)3 

2Fe(OH)3 → Fe2O3 . H2O + 2H2O

A propriedade química que o ferro tem, nesse caso, é de se oxidar.

Outros exemplos de propriedades químicas são: explosão, poder de corrosão e efervescência.

Propriedades Físicas: São aquelas que podem ser coletadas e analisadas sem que a composição química da matéria mude, ou seja, resultam em fenômenos físicos e não químicos.
Por exemplo, se pegamos uma amostra de água de determinada massa, nós não mudamos a sua constituição, por isso a massa é uma propriedade física. Outro exemplo é a propriedade que a água tem de se evaporar, ela passa do estado líquido para o de vapor, mas continua com a mesma composição química. Assim, o ponto de ebulição é uma propriedade física.

Outros exemplos são: volume, densidade, estado físico (sólido, líquido e gasoso), ponto de fusão, temperatura, cor e dureza.

Entre essas propriedades físicas, citamos algumas que são também definidas como propriedades organolépticas, que são aquelas que podemos reconhecer com os órgãos dos sentidos (visão, tato, olfato e paladar), tais como o estado físico, a cor, o odor, a transparência e o brilho.

Além das propriedades organolépticas, as propriedades físicas também podem se subdividir em gerais ou especificas e em intensivas ou extensivas. Você pode ver detalhes sobre cada uma delas nos textos abaixo:

 

Propriedades Gerais e Específicas


As propriedades físicas da matéria podem ser gerais (repetem-se para vários materiais, tais como massa e volume) ou específicas (são exclusivas, como a densidade).

Se alguém lhe pedisse para buscar uma pessoa que você não conhece no aeroporto, o que você lhe perguntaria? Provavelmente gostaria de saber algumas características sobre determinada pessoa, tais como altura, cor da pele, cor dos olhos, a roupa que estará vestindo e assim por diante. Essas características são importantes para chegar até a pessoa.

No entanto, é bem verdade que essas são características que podem se repetir. Por exemplo, muitas pessoas têm 1,60 m de altura, são morenas, têm os olhos castanhos e podem usar uma camiseta vermelha no mesmo dia. Esses são exemplos de características gerais, que não servem para identificar determinada pessoa sem a chance de erro.

Por outro lado, quando se precisa de uma identificação mais precisa, existem algumas características que são específicas da pessoa, como a digital, uma vez que cada pessoa possui a sua. Tanto que o governo utiliza disso por meio de vários sistemas de identificação, como no caso da cédula de identidade, no registro de nascimento, no CPF (Cadastro de Pessoa Física), entre outros.

Algo similar ocorre ao se trabalhar na identificação das substâncias químicas. Existem propriedades físicas dos materiais que são gerais, enquanto outras são específicas.

As propriedades gerais são aquelas que podem se repetir para substâncias diferentes, que não são exclusivas de um único material. Já as propriedades específicas são exclusivas e particulares de cada material puro, podendo ser usadas para identificá-los.

Por exemplo, digamos que temos um material que não sabemos a composição. Observe as seguintes propriedades que foram determinadas para ele:

Incolor;
Líquido nas condições ambientes;
Inodoro;
Amostra de massa igual a 36 g;
Amostra com volume de 36 mL;
Temperatura igual a 25ºC nas condições ambientes;
Ponto de ebulição igual a 100ºC a 1 atm e 25ºC;
Ponto de fusão igual a 0ºC a 1 atm e 25ºC;
Densidade igual a 1,0 g/cm3 a 1 atm e 25ºC;
Calor específico de 1 cal/g . ºC.

Observe que as propriedades citadas nos números de 1 a 6 são todas propriedades gerais, pois elas não servem para identificarmos de que substância se trata. Por exemplo, o etanol e a água são compostos de constituição totalmente diferentes, mas ambos são líquidos e incolores. Além disso, a cor, o volume, a massa e a temperatura podem se repetir para inúmeros materiais.

Já as propriedades apresentadas nos números de 7 a 10 são todas propriedades específicas. Com elas, nós podemos chegar à conclusão de que o líquido estudado é a água pura. Por exemplo, a densidade da água é exatamente 1,0 g/cm3 e não pode ser o etanol, pois a sua densidade é igual a 0,79 g/cm3. Isso também acontece com as outras propriedades específicas citadas, elas são únicas da água.

Além disso, podemos afirmar que não tem nenhuma outra substância misturada na água, porque os pontos de ebulição e de fusão são valores exatos. No caso de misturas, as mudanças de estados físicos ocorrem não em temperaturas específicas, mas em intervalos de temperatura.

Fis_Quim.Propriedades

Propriedade físico-química 

é toda e qualquer propriedade da matéria. Classicamente, matéria é tudo que ocupa lugar no espaço e tenha massa. Contudo, a física moderna entende a matéria e a energia como dois aspectos de uma mesma natureza.

 

Definição

Uma propriedade físico-química é uma propriedade mensurável que descreve nenhuma característica quantitativa da matéria.

 

Classificação

Uma propriedade é uma qualidade inerente a um determinado objeto. Uma propriedade pode ser dividida da seguinte maneira:

  • propriedade qualitativa

  • propriedade quantitativa

  • propriedade extensiva

  • propriedade intensiva


Uma 'propriedade qualitativa' é uma propriedade que, pelo menos a princípio, não pode ser quantificada (embora possa ser posta em correspondencia, até um certo ponto, com propriedades quantitativas, como veremos)

Geralmente uma propriedade qualitativa é uma propriedade organoléptica, isto, uma propriedade que fere diretamente os sentidos. Uma propriedade qualitativa carrega sempre uma dose de subjetividade, já que envolve uma interpretação consciente ou inconsciente.

Exemplos de propriedades qualitativas são a cor, o sabor, o odor, o timbre e a textura

Mesmo não sendo diretamente mensuráveis, as propriedades qualitativas podem ter uma certa correspondencia com as propriedades quantitativas. A cor vermelha (qualitativa) corresponde ao comprimento de onda (quantitativa) por volta de 760 nm.

Uma 'propriedade quantitativa' é uma propriedade que pode ser associada a um ou mais números. Ela sempre corresponde a uma grandeza, de natureza escalarvetorial ou ainda tensorial.

Propriedades intensivas e extensivas


As propriedades intensivas e extensivas são aquelas que são analisadas de acordo com a dependência da variação da massa na amostra. Uma das formas de se classificar as propriedades físicas da matéria, isto é, aquelas propriedades que são analisadas e coletadas de modo que a composição do material continue a mesma, é de acordo com a dependência da massa na amostra. Existem dois tipos de propriedades nesse caso, as intensivas e as extensivas.

 

As propriedades intensivas são aquelas que não dependem da massa da amostra. Por exemplo, como mostra a imagem mais acima, se temos uma solução e medimos a sua temperatura, independente da sua quantidade, a temperatura será a mesma. Desse modo, temos que a temperatura é uma propriedade intensiva da matéria.

Outros exemplos são os pontos de fusão e de ebulição, independente da quantidade de material, eles permanecerão os mesmos. Como acontece, por exemplo, com a água; não importa se temos 100 g ou 1 kg de água, ao nível do mar, o seu ponto de fusão sempre será 0ºC e seu ponto de ebulição sempre será 100ºC.

Isso distingue a água dos demais materiais, o que nos mostra que algumas propriedades intensivas podem ser utilizadas para descobrir a constituição de uma substância.

As propriedades extensivas, por outro lado, são aquelas que dependem da massa da amostra. O volume é um exemplo, podemos ver isso comparando 1 saco de 2 kg de açúcar com 1 um saco de 5 kg. É obvio que o que possui maior massa ocupa um espaço maior.

Existem também algumas propriedades intensivas que são derivadas de propriedades extensivas, como é o caso da densidade (densidade = massa/volume). A densidade é uma propriedade intensiva, pois não depende da variação da massa. Por exemplo, um cubo de gelo tem densidade igual a 0,92 g/cm3. A densidade de um iceberg é a mesma. É por isso que tanto um cubo de gelo quanto um iceberg flutuam na água, que possui densidade maior (1,0 g/cm3).

A massa e o volume, conforme já dito, são propriedades extensivas, mas a densidade é intensiva porque à medida que a massa diminui, o volume também diminui e, portanto, a relação m/v permanece constante, isto é, a densidade permanece a mesma independente da amostra.

A densidade é outra propriedade intensiva que pode ser usada para distinguir uma substância da outra.

Principais áreas da Físico-Química

A Físico-Química é um dos três ramos principais da Química, juntamente à Química Inorgânica e à Química Orgânica. Ela estuda os princípios da Química, abordando os fenômenos que são observados nas reações químicas entre quantidades macroscópicas das substâncias. As principais áreas estudadas pela Físico-Química e que serão abordadas nesta subseção são:

Soluções: Trabalha com o cálculo das diferentes concentrações das soluções químicas, que são tão usadas em laboratórios e indústrias químicas;

Propriedades Coligativas: São propriedades que explicam vários fenômenos observados no cotidiano que não dependem da natureza da matéria, mas unicamente da quantidade de partículas presentes nas soluções;

Termoquímica: Estuda as reações químicas e os fenômenos físicos em que há troca de energia na forma de calor, provocando alteração na temperatura ambiente;

Cinética Química: Estuda a velocidade das reações químicas;

Equilíbrios Químicos: Ramo da Química que estuda as reações reversíveis que se processam nos dois sentidos simultaneamente, bem como os fatores que interferem nesse equilíbrio das reações;

Eletroquímica: Estuda o aproveitamento prático das reações de oxidorredução (em que há transferência de elétrons). A Eletroquímica divide-se no estudo das pilhas e baterias, além da eletrólise.

Soluções

As soluções químicas verdadeiras são misturas homogêneas, formadas por um soluto totalmente dissolvido em um solvente, que geralmente é a água.

Em Química, uma solução é toda mistura de duas ou mais substâncias que seja homogênea, isto é, que tenha apenas uma fase. Isso acontece mesmo ao se olhar em um microscópio, pois as suas partículas dispersas têm o diâmetro menor que 1 nm (10-9 m). As soluções podem ser sólidas, líquidas ou gasosas. Por exemplo, as ligas metálicas são soluções sólidas formadas pela fusão e mistura de dois ou mais metais; a água com o açúcar e o álcool com a água são soluções líquidas, e o ar é uma solução gasosa formada por vários gases.

Nos laboratórios químicos, costuma-se trabalhar muito com soluções aquosas, que são formadas geralmente por algum sólido dissolvido em água. Nesta seção você entenderá como preparar essas soluções químicas, como determinar os diversos tipos de concentração, como são feitas as suas análises em laboratório, aspectos que afetam a solubilidade dos materiais e outros aspectos relacionados. Portanto, os textos a seguir abordam tanto aspectos qualitativos quanto, principalmente, os aspectos quantitativos da Química, usando grandezas como massa, volume e quantidade de matéria.

Propriedades Coligativas

As propriedades coligativas são as propriedades do solvente que se modificam na presença de um soluto não volátil e que dependem apenas do número de partículas do soluto.

As propriedades coligativas são aquelas que percebemos quando é adicionado um soluto não volátil a um solvente. A intensidade com que essas propriedades apresentam-se depende somente da quantidade de partículas do soluto na solução, mas não depende da natureza do soluto.

Os solutos não voláteis podem ser molecularesou iônicos. Um exemplo de soluto não volátil molecular é o açúcar (sacarose – C12H22O11) que vemos na forma de cristaizinhos brancos porque milhares e milhares de moléculas estão bem unidas, formando, assim, esses cristais. Mas quando dissolvemos o açúcar em água, suas moléculas separam-se e ficam isoladas, por isso não conseguimos visualizá-las, mas as moléculas de C12H22O11 estão lá dissolvidas na água.

Um exemplo de soluto não volátil iônico é o sal (cloreto de sódio – NaCl), cujas fórmulas unitárias estão também unidas, formando aglomerados iônicos de estrutura geométrica bem definida, que são chamados de retículos cristalinos. Mas ao ser colocado em água, o sal reage com as moléculas dela, tendo os seus íons separados (ocorre uma dissociação iônica). Assim, os íons Na+ e Cl- ficam dispersos na água e também não são visíveis a olho nu.

Assim, essas partículas (moléculas ou íons) que ficam dispersas no solvente, que geralmente é a água, são as responsáveis por mudanças em determinadas propriedades do solvente.

As quatro propriedades coligativas são:

Tonoscopia ou tonometria: O efeito tonoscópico é a diminuição da pressão de vaporde um líquido quando um soluto não volátil é adicionado a ele.

Quando preparamos uma mistura de água e açúcar, por exemplo, as moléculas de açúcar dissolvem-se porque são polares como as moléculas de água. Elas interagem umas com as outras por meio de forças intermoleculares, o que dificulta que as moléculas de água da superfície do líquido passem para o estado de vapor e escapem do solvente.

O abaixamento relativo da pressão máxima de vapor é representado pela relação&&DeltaP/P2 e pode ser calculado por meio da fórmula:

Soluções moleculares: ΔP/P2 = Kt . M
Soluções iônicas: ΔP/P2 = Kt . M . i

Em que:

ΔP/P2 = abaixamento relativo da pressão máxima de vapor;

ΔP = abaixamento absoluto da pressão máxima de vapor;

P2 = pressão de vapor do solvente;

Kt = constante tonoscópica;

M = concentração em mol/L (em quantidade de matéria da solução);

i = fator de Van't Hoff.

Ebulioscopia ou ebuliometria: O efeito ebulioscópico é o aumento do ponto de ebulição de um líquido quando adicionamos um soluto não volátil a ele.

Por exemplo, como a imagem no início deste artigo mostra, quando temos água fervendo, ou seja, que já atingiu o seu ponto de ebulição (100 ºC ao nível do mar), e adicionamos açúcar, a água para de ferver na hora, ou seja, a temperatura de ebulição aumentou. Isso acontece pelo mesmo motivo mencionado para o efeito tonoscópico, isto é, a interação entre as moléculas do solvente e do soluto dificulta que a molécula passe para o estado de vapor, por isso, é necessário adicionar mais energia na forma de calor para que a solução entre em ebulição.

O aumento do ponto de ebulição pode ser calculado por meio da fórmula:

Soluções moleculares: ΔtE = KE. W
Soluções iônicas: ΔtE = KE. W . i

Em que:

ΔtE = elevação do ponto de ebulição;

KE = constante ebulioscópica;

W = molalidade (massa molecular do solvente / 1000). No caso de soluções aquosas diluídas, é igual à molaridade.

Crioscopia ou crometria: O efeito crioscópico é a diminuição do ponto de congelamento de um líquido quando um soluto não volátil é adicionado a ele.

Por exemplo, em lugares frios, as águas dos mares formam uma camada de gelo somente na superfície, porque ela é formada somente por água. Já a parte líquida que fica abaixo do gelo não se congela porque, além de o gelo ser um isolante térmico natural, essa água possui vários sais dissolvidos que diminuem o ponto de congelamento.

Em países que nevam, há o risco de congelamento da água dos radiadores usados para refrigerar os motores. Por isso, há alguns produtos comerciais (aditivos) que são adicionados com a finalidade de diminuir o ponto de congelamento da água e evitar o seu congelamento. Um exemplo de anticongelante usado com essa finalidade é o etilenoglicol (C6H6O2), que, se estiver em uma proporção de 50%, tem a capacidade de abaixar o ponto de fusão da mistura até cerca de -35 ºC.


Adição de anticongelante em radiador de carro para evitar que a água congele

A diminuição do ponto de congelamento pode ser calculado por meio da fórmula:

Soluções moleculares: ΔtC = KC. W
Soluções iônicas: ΔtC = KC. W . i

Em que:

ΔtC = diminuição do ponto de congelamento;

KC = constante crioscópica.

* Osmoscopia: O fenômeno da osmose ocorre quando colocamos um solvente puro e uma solução (ou duas soluções com concentrações diferentes) separados por uma membrana semipermeável e ocorre a passagem de solvente pela membrana no sentido do solvente para a solução (ou da solução menos concentrada para a mais concentrada). Por exemplo, se colocarmos ameixas secas em água, com o tempo, notaremos que as ameixas incharão. Isso ocorre porque a pele da ameixa seca funciona como uma membrana semipermeável e o solvente (água) passa por ela e vai para o interior da ameixa.

Quando colocamos ameixas secas em água, ocorre osmose

A pressão osmótica (π) pode ser calculada por meio da fórmula:

Soluções moleculares: π = M . R . T

Soluções iônicas: π = M . R . T . i

Em que:

M = concentração em quantidade de matéria (molaridade) da solução (mol/L);

R = constante universal dos gases perfeitos, que é igual a 0,082 atm . L. mol-1. K-1 ou 62,3 mm Hg L. mol-1. K-1;

T = temperatura absoluta, dada em Kelvin;

i = fator de Van’t Hoff.

Termoquímica

A Termoquímica é a área que estuda as situações em que reações químicas e fenômenos físicos ocorrem com absorção ou liberação de energia na forma de calor.  Para uma introdução ao estudo da Termoquímica, veja como ela pode ser conceituada:

A Termoquímica é um ramo da Físico-Química

que estuda as reações químicas e os processos físicos que envolvem trocas de calor.

Essas reações e processos são extremamente importantes para a vida no planeta e também são muito frequentes no cotidiano. Na Termoquímica, os processos e reações que ocorrem com liberação de calor e consequente aumento da temperatura das vizinhanças são chamados de exotérmicos. O prefixo exo significa “para fora”. Uma reação química bastante comum e importante que é um exemplo de reação exotérmica é a combustão. Na imagem a seguir, por exemplo, temos uma fogueira que libera grande quantidade de energia na forma de luz e calor.

Esse calor liberado nas reações de combustão pode ser aproveitado para cozinhar alimentos e gerar aquecimento e outros tipos de energia, como a elétrica e a mecânica. A combustão da gasolina, por exemplo, faz um carro andar, e a combustão do carvão ou de outros combustíveis gera eletricidade para indústrias. Um exemplo de processo físico que é exotérmico é a condensação. Você já reparou que, se deixarmos uma garrafa de refrigerante gelado por um tempo em cima da mesa, serão formadas algumas gotas de água do lado de fora da garrafa? Esse processo é conhecido como condensação, que nada mais é do que a passagem do estado de vapor da água que está presente no ar para o estado líquido. Isso acontece porque, ao entrar em contato com a superfície da garrafa que está a uma menor temperatura, a umidade do ar perde calor e assim volta para o estado líquido.

 

A solidificação, isto é, a passagem do estado líquido para o sólido, também é um processo exotérmico, pois ocorre perda de calor. Esse é o caso da água que vira gelo.

Por outro lado, os processos químicos e físicos que ocorrem com absorção de calor e diminuição da temperatura das vizinhanças são chamados de endotérmicos. O prefixo endo significa “para dentro”.

Um exemplo de reação endotérmica muito importante é a fotossíntese, isto é, a reação entre o gás carbônico do ar e a água para a produção de moléculas orgânicas, como a glicose e o gás oxigênio. Mas para que essa reação ocorra, a energia solar faz-se necessária.

                     6CO2(g) + 6H2O(l) + luz solar → C6H12O6(aq) + 6O2(g)


A fotossíntese é uma reação química que ocorre com absorção de calor.

Um fenômeno físico que ocorre com absorção de calor é a evaporação (passagem do estado líquido para o de vapor). Como acontece com as roupas lavadas que colocamos para secar no varal, a água passa para o estado de vapor porque recebeu energia solar.


Roupas secando no varal – exemplo de processo físico endotérmico.

Mais exemplos podem ser vistos no texto Processos endotérmicos e exotérmicos.

A energia em forma de calor que é liberada ou absorvida em uma reação química é denominada em Termoquímica de variação de entalpia e é simbolizada por ΔH. A entalpia (H) designa o conteúdo de energia de cada substância. Visto que não se conhece até hoje uma maneira experimental de determinar o valor da entalpia, normalmente se trabalha com a variação da entalpia nas reações e nas mudanças de estado físico, que é dada pela diferença entre a entalpia dos produtos e a dos reagentes (ΔH = Hprodutos – Hreagentes).

Mas de onde vem essa energia que é perdida ou recebida?

Bem, vamos falar primeiro das reações exotérmicas. Quando ocorre uma reação, as ligações entre os átomos dos regentes precisam ser rompidas para que as ligações químicas dos produtos sejam formadas. A quebra de uma ligação química libera determinada quantidade de energia; mas quando se forma uma ligação, há absorção de energia.

Entretanto, a quantidade de energia liberada e a quantidade de energia absorvida não são as mesmas, pois seus valores dependem dos tipos de átomo que estão ligados. Visto que os átomos possuem energias diferentes, a quantidade de energia liberada no momento da quebra das ligações dos reagentes é uma, e a absorvida na formação dos produtos é outra.

Se a energia liberada na quebra das ligações químicas for maior que a absorvida, então essa energia será liberada para o meio, caracterizando uma reação exotérmica.

O contrário ocorre nas reações endotérmicas, isto é, a energia necessária para a formação dos produtos é maior que a energia liberada na quebra das ligações dos átomos dos reagentes. Assim, é preciso fornecer calor ao meio para vencer essa diferença, e a reação ocorre com absorção de calor.

Para aprofundar seus conhecimentos acerca dessa área de estudos, acesse os textos da subseção Termoquímica.

Cinética Química

A Cinética Química estuda as condições e os fatores que podem alterar a velocidade das reações químicas.

A Cinética Química é o ramo da Físico-química que estuda a velocidade em que uma reação química ocorre. Uma das formas que a Cinética Química utiliza para calcular a velocidade de qualquer participante de uma reação é por meio da fórmula abaixo:

v = Δn
     Δt

ou

 

v = Δ[]
     Δt

  • v = velocidade da reação;

  • Δn = variação do número de mols do participante;

  • Δ[] = variação da concentração molar (molaridade) do participante;

  • Δt = variação do tempo.

Considere a equação a seguir:

aA + bB → cC + dD

Com a expressão acima, podemos calcular as velocidades de consumo dos reagentes A e B ou as velocidades de formação dos produtos C e D, o que pode ser feito, por exemplo, em relação ao participante C:

vC = ΔnC  /  Δt

Se quisermos calcular a velocidade de toda a reação (vr), é necessário dividir a velocidade de um dos participantes pelo seu coeficiente estequiométrico da seguinte forma:

vr = vC  /  c

Outra forma de calcular a velocidade de uma reação é por meio da lei da velocidadede Guldberg e Waage, que leva em consideração apenas as concentrações molares ([ ]) e a ordem dos reagentes. Ela é enunciada da seguinte forma:

v = K [A]x.[B]y

Quando trabalhamos com a Cinética Química, devemos saber que o seu estudo envolve algumas ramificações importantes, tais como:

Os fatores determinantes para a ocorrência de uma reação química são aqueles que são fundamentais para que ela aconteça, a saber:

  • Afinidade entre os reagentes (capacidade de combinação química entre os átomos dos reagentes);

  • Contato entre os reagentes (os reagentes devem encontrar-se fisicamente para que a reação aconteça).

Esses fatores determinantes dependem ainda de outros fatores acessórios, que estão relacionados diretamente com a velocidade em que a reação é processada. Assim, esses fatores acessórios é que determinam se uma certa reação química será rápida, lenta ou instantânea. Eles são:

  • Teoria da colisão (estuda a orientação em que ocorrem os choques entre as moléculas reagentes);

  • Energia de ativação (é a energia necessária para a formação do complexo ativado);

  • Complexo ativado (é o composto intermediário formado entre os reagentes e produtos).

Uma vez conhecida a característica cinética de uma reação química (lenta, rápida ou instantânea), podemos modificar essa característica por meio dos fatores que afetama velocidade de uma reação, ou seja, podemos fazer, por exemplo, que uma reação lenta seja processada de forma mais rápida. Esses fatores são:

  • Influência da Temperatura (o aumento ou a diminuição da quantidade de calor a que submetemos a reação);

  • Influência da concentração dos reagentes (o aumento ou a diminuição da quantidade dos participantes da reação);

  • Influência da pressão (o aumento ou a diminuição da pressão da força exercida sobre um ponto);

  • Influência da superfície de contato (o aumento ou a diminuição da área de contato entre os reagentes pode modificar a velocidade da reação);

  • Influência da natureza dos reagentes (a maior ou menor presença de ligações a serem rompidas durante uma reação);

  • Influência da luz (o aumento ou diminuição da intensidade da luz ou, talvez, até a sua ausência pode modificar a velocidade);

  • Influência da eletricidade (a presença da corrente elétrica pode modificar a velocidade);

  • Influência dos catalisadores (a presença de um catalisador diminui a energia de ativação e, consequentemente, aumenta a velocidade de uma reação).

Equilíbrio Químico

O Equilíbrio Químico é atingido quando uma reação reversível ocorre no sentido direto e no inverso, com a mesma velocidade, e as propriedades do sistema se estabilizam. Várias reações químicas são consideradas reversíveis, ou seja, à medida que os produtos vão sendo formados a partir da reação entre os reagentes, os produtos reagem entre si e regeneram novamente os reagentes. Esse processo continua nos dois sentidos até que se atinja o equilíbrio químico, que é quando a taxa de desenvolvimento ou velocidade dos dois sentidos da reação (direto e inverso) torna-se igual.

Por exemplo, o sulfato de cobre penta-hidratado apresenta cor azul e podemos causar uma transformação química por aquecê-lo. Assim, ele perde sua água de hidratação e fica da cor branca. Mas essa reação é reversível, pois basta adicionar água ao sal desidratado que ele volta a ficar azul.

Existem muitas outras reações na natureza que são reversíveis  e podem atingir o equilíbrio químico. Macroscopicamente nós achamos que o sistema está parado, como se não houvesse mais reação. Porém, microscopicamente o equilíbrio é dinâmico, os reagentes estão constantemente se transformando nos produtos e os produtos, nos reagentes, com a mesma velocidade. Isso é simbolizado na equação química pela dupla seta (↔).

Nos textos desta seção você verá vários exemplos do equilíbrio químico no cotidiano e na natureza, verá como ele pode sofrer um deslocamento, quais os fatores que ocasionam isso, verá também aspectos quantitativos, tais como o que é a constante do equilíbrio, o que é um equilíbrio iônico e a sua constante, a constribuição de Ostwald para este estudo, a determinação do pH e do pOH, o que é o produto iônico da água, a hidrólise salina, o efeito do íon comum e o que são as soluções-tampão.

Eletroquímica

A Eletroquímica trata do uso das reações químicas espontâneas para produzir eletricidade e do uso da eletricidade para forçar reações químicas não espontâneas. A Eletroquímica é um ramo da Química que estuda o fenômeno da transferência de elétrons para a transformação de energia química em energia elétrica e vice-versa. As reações que envolvem transferência de elétrons são chamadas de reações de oxirredução, pois nelas ocorrem simultaneamente a redução e a oxidação. A espécie química que perde elétrons passa por uma oxidação e fica com o Nox (número de oxidação) maior. Já a espécie química que recebe esses elétrons passa por uma redução e o seu Nox fica menor.

Por exemplo, a seguir há uma reação desse tipo, na qual uma placa de zinco metálico (Zn0) é colocada em uma solução de sulfato de cobre (que possui cátions cobre II (Cu2+) dissolvidos). O zinco sofre oxidação, perdendo dois elétrons e transformando-se no cátion zinco (Zn2+), enquanto os íons cobre recebem esses elétrons e transformam-se em cobre metálico (Cu0). Veja a equação iônica desse processo:

              Zn(s) + Cu2+(aq) → Zn2+(aq) + Cu(s)

Assim, nos fenômenos eletroquímicos, sempre ocorrem reações semelhantes a essa. Porém, isso pode ocorrer de duas formas. Os dois campos de estudo principais da Eletroquímica são:

Pilhas e baterias: Nesse caso existe a conversão de energia química em energia elétrica, ou seja, usam-se as reações químicas de oxirredução espontâneas para a geração de eletricidade.

Dentro das pilhas são colocadas certas substâncias químicas que reagem espontaneamente transferindo elétrons, isto é, por meio de reações de oxirredução. As pilhas possuem dois eletrodos, que são:

- ânodo: polo negativo onde ocorre a oxidação;

- cátodo: polo positivo onde ocorre a redução.

As pilhas e baterias também possuem um eletrólito, que é uma solução condutora de íons. Assim, forma-se um fluxo de elétrons entre esses polos que resulta na formação de uma corrente elétrica que pode ser utilizada para que diversos aparelhos elétricos funcionem.

diferença entre as pilhas e as baterias é que enquanto as pilhas possuem somente dois eletrodos, as baterias são formadas por várias pilhas conectadas em série ou em paralelo, ou seja, possuem vários eletrodos, o que aumenta a sua voltagem. O que seria de nossa sociedade sem as pilhas e as baterias que fazem funcionar os celulares, os carros, os relógios e muitos outros aparelhos?

Eletrólise: É o processo inverso que ocorre nas pilhas e baterias, ou seja, ocorre a transformação de energia elétrica em energia química. Utiliza-se energia elétrica para forçar a ocorrência de uma reação química não espontânea pela neutralização das cargas dos íons e formação de substâncias simples.

Isso ocorre quando se passa uma corrente elétrica proveniente de algum gerador (como uma pilha ou uma bateria) por um líquido iônico (substância fundida - eletrólise ígnea) ou por uma solução aquosa que contém íons (eletrólise em meio aquoso). Desse modo, o cátion presente no líquido ou na solução recebe elétrons, e o ânion doa elétrons, para que ambos fiquem com carga elétrica igual a zero e com energia química acumulada.

A eletrólise é usada para a produção de substâncias simples de uso importante que não são encontradas na natureza, como o gás cloro e o sódio metálico produzidos na eletrólise ígnea do cloreto de sódio. Na eletrólise aquosa do cloreto de sódio, além de o cloro ser produzido, também se obtém o gás hidrogênio que é usado como combustível. Mais detalhes sobre como ocorrem esses processos podem ser vistos no texto Eletrólise do cloreto de sódio.

A eletrólise também é usada para a produção de metais, como mostra o artigo Produção de alumínio por eletrólise, e para o desenvolvimento de processos de proteção de metais contra a corrosão.

A Eletroquímica é, portanto, um ramo muito importante não só porque está relacionada com o desenvolvimento tecnológico e de métodos de produção de eletricidade, mas também porque permite inclusive a monitoração das atividades do cérebro e do coração, do pH do sangue, da presença de contaminantes na água, além de possibilitar a criação de equipamentos que salvam vidas, como o marcapasso, e assim por diante.

Fis_Quim.Areas
bottom of page